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CazéTV e bets: investigação expõe brecha nas regras da publicidade digital

Apuração da Senacon levanta debate sobre limites entre conteúdo e publicidade em transmissões digitais e o avanço das apostas esportivas na mídia

CazéTV Reprodução Instagram
CazéTV é alvo de investigação da Senacon sobre publicidade de apostas esportivas durante transmissões da Copa do Mundo de 2026
Redação Entretenimento clock 02/07/2026 10:44
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De acordo com a RCN, a abertura de uma investigação pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) para apurar possíveis irregularidades na divulgação de apostas esportivas durante transmissões da CazéTV, nos jogos da Copa do Mundo de 2026, colocou em evidência uma lacuna regulatória e reacendeu o debate sobre os limites entre conteúdo, entretenimento e publicidade em plataformas digitais.

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A CazéTV se consolidou como uma das principais transmissoras do torneio, disputando audiência com emissoras tradicionais e assumindo protagonismo na cobertura esportiva. O canal detém os direitos de exibição de todos os 104 jogos da competição, ampliando sua influência no cenário da mídia esportiva brasileira.

 

Na última quinta-feira (25), o nome da plataforma passou a integrar uma apuração da Senacon, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, que investiga possíveis práticas irregulares na publicidade de apostas esportivas de quota fixa, conhecidas como bets. O caso reacendeu discussões entre especialistas sobre a fronteira entre informação, entretenimento e responsabilidade na comunicação digital.

 

Durante transmissões e pré-jogos, narradores do canal teriam apresentado recomendações de odds, apontando probabilidades de resultados e possíveis retornos financeiros, além de sugerirem estratégias e escolhas de apostas ao público. Em alguns momentos, dicas práticas de como e onde apostar também foram exibidas durante a programação.

 

Um levantamento do portal ICL Notícias analisou 48 partidas transmitidas pela CazéTV e identificou 74 sugestões de apostas ao longo das exibições. Em 61% dessas situações, os resultados indicados não se concretizaram. As ações promocionais envolviam casas como Bet365, Betnacional e KTO, todas presentes entre os anunciantes da transmissão da Copa.

 

As apostas esportivas já figuram como uma das maiores categorias de investimento publicitário do evento, atrás apenas do setor de alimentos e bebidas. Nas transmissões compartilhadas entre Globo, CazéTV e SBT, marcas do segmento estão presentes de forma recorrente nos intervalos e ativações comerciais.

 

Especialistas apontam que o modelo adotado pela CazéTV difere do padrão tradicional da televisão aberta ao integrar conteúdo e publicidade de forma mais fluida. Para analistas, esse formato, embora eficiente do ponto de vista comercial e de engajamento, levanta preocupações quando aplicado ao mercado de apostas, que envolve riscos financeiros e sociais relevantes.

 

Estudos recentes também mostram a dimensão do fenômeno das bets no Brasil. Um levantamento da Agência Macfor apontou mais de 18 milhões de buscas pelo termo em um mês anterior à Copa do Mundo, além de indicar que seis em cada dez brasileiros demonstravam intenção de apostar. Nos últimos cinco anos, o interesse pelo tema cresceu 496% no país.

 

Dados do Ministério da Fazenda estimam que o setor movimentou cerca de R$ 37 bilhões em lucro bruto em 2025. Em paralelo, enquanto países como Reino Unido, Portugal e Espanha registraram queda no interesse por apostas, o Brasil e a Argentina apresentaram forte crescimento.

 

Criada em 2022, a CazéTV surgiu da parceria entre a empresa LiveMode e o streamer Casimiro Miguel, ganhando espaço com transmissões digitais mais informais e voltadas ao entretenimento. O crescimento foi impulsionado por mudanças regulatórias no futebol, como a Lei do Mandante, que ampliou a autonomia de clubes na venda de direitos de transmissão.

 

Para pesquisadores, o modelo representa uma nova forma de consumo esportivo, mais próxima do entretenimento em rede social do que do jornalismo tradicional, priorizando engajamento e linguagem descontraída.

 

Ao mesmo tempo, especialistas alertam que a ausência de uma separação clara entre conteúdo e publicidade pode abrir brechas regulatórias e até incentivar práticas mais agressivas de marketing digital, especialmente em setores sensíveis como o de apostas.

 

No Congresso, projetos em discussão buscam restringir ou até proibir a publicidade de bets em meios de comunicação e eventos esportivos, enquanto cresce o debate sobre a necessidade de atualização das regras para o ambiente digital.

 

Pesquisadores também comparam o cenário ao histórico da publicidade do tabaco, hoje proibida, mas alertam que a forte presença de patrocinadores de apostas em diferentes áreas da mídia pode dificultar avanços regulatórios mais rígidos no país.

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