Aos 54 anos, apresentadora muda de rumo e inicia nova formação
A suspeita já havia sido presa em 2023 por aplicar o mesmo tipo de fraude no Rio de Janeiro e voltou a enganar famílias com narrativa semelhante
Reprodução Instagram
A investigação sobre o caso da mulher que enganou uma família em Joinville, em Santa Catarina, ao se passar por uma menina de 12 anos, ganhou novos desdobramentos. A suspeita, que chegou a participar de uma festa de aniversário infantil e mantinha comportamentos compatíveis com a encenação, já tinha passagem pela polícia por um esquema semelhante.
Em contato com o portal LeoDias, a Polícia Civil de Santa Catarina confirmou que se trata da mesma estelionatária presa em 2023, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, por fraude com o mesmo padrão de atuação.
O histórico da investigada revela um roteiro recorrente de manipulação emocional. No caso anterior, na Baixada Fluminense, ela teria construído uma narrativa em que dizia ter fugido do Nordeste para escapar de uma rede de exploração sexual e de rituais de bruxaria supostamente conduzidos pelo próprio pai. A história, sem comprovação, servia como base para sensibilizar vítimas e sustentar sua permanência no convívio social.
Em ambos os episódios, o método seguia linhas semelhantes. A mulher afirmava ter diagnóstico de autismo e alegava ter sido submetida, na infância, à administração forçada de hormônios para aparentar mais idade e atrair "clientes". Para reforçar a versão apresentada, também produzia desenhos de conteúdo perturbador e apresentava supostos exames médicos, incluindo imagens de raio-x que indicariam a presença de agulhas no corpo.
A combinação de relatos e elementos visuais acabou convencendo diferentes grupos de apoio. No Rio de Janeiro, pessoas que a conheceram por meio de um projeto social chegaram a oferecer moradia, roupas, alimentação e custear sessões de terapia, diante da suposta situação de vulnerabilidade.
O esquema foi desfeito após a decisão de procurar a polícia, que identificou o histórico criminal da suspeita. Ela havia sido presa em flagrante por estelionato e falsidade ideológica, mas voltou a atuar meses depois, desta vez em Santa Catarina. No novo caso, foi acolhida por frequentadores de uma igreja e integrada a uma família que passou a chamá-la de “Gabriele”.
Durante cerca de 14 meses, segundo a apuração, ela manteve a encenação ao simular crises de ansiedade, alterar a própria voz e adotar comportamentos infantis. O caso só veio à tona após a desconfiança de um familiar, que acionou as autoridades. A mulher foi novamente presa e o caso segue sob investigação.
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