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Ator de 96 anos relembra episódio da adolescência durante homenagem da APCA e provoca reação imediata de artistas no evento
Reprodução Instagram
Durante a cerimônia de homenagem da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), o ator Lima Duarte, de 96 anos, acabou no centro de uma forte controvérsia após um discurso com conteúdo considerado racista. O artista foi um dos homenageados da noite, mas sua fala gerou desconforto e reações imediatas no evento.
No palco, Lima relembrou um episódio da adolescência, quando tinha 15 anos, descrevendo uma situação envolvendo uma área de prostituição e fazendo referência à cor das mulheres presentes no local. Em seu relato, ele disse: "Um dia um moleque daqueles chegou pra mim e falou assim, 'vamos na zona?' (...) Ele falou, 'na Aimorés a mulher é cinco mirreis, na Itaboca a mulher é três'. Eu falei, 'vamos na Itaboca', ele falou, 'só tem preta'. Eu não fui. Moleque de rua, dormi embaixo do caminhão, não fui porque só tinha preta. Que vida, hein? Que coisa eu fui percebendo ao longo dessa vida. Então, fomos na Aimorés."
A fala provocou reação imediata entre parte do público presente. Algumas atrizes demonstraram incômodo ainda durante a cerimônia, e o clima ficou tenso após manifestações no palco.
A atriz e diretora Carmen Luz fez um pronunciamento firme em resposta, destacando a importância das mulheres negras e rebatendo o teor da fala. Ela afirmou que elas "não estão no mundo para serem recusadas" e completou com a frase "Mulheres pretas, levantai-vos", sendo aplaudida por parte da plateia. As atrizes Shirley Cruz e Grace Passô também se pronunciaram, reforçando a necessidade de reconhecimento e valorização das mulheres negras na cultura brasileira.
Após a repercussão negativa, Lima Duarte se manifestou por meio de nota. Ele afirmou que o relato se referia a uma lembrança da infância, em um contexto de vulnerabilidade. "Aquela fala nasceu como retrato de um tempo e também como forma de protesto, do olhar de quem respeita e entende uma luta que é de todos", disse em declaração à Folha de S. Paulo, acrescentando que se tratava da visão de "um menino sem formação, vivendo na rua."