reprodução Instagram Cantor Silva é acusado de dívida de aluguel e caso vai parar na Justiça
Redação Entretenimento
13/04/2026 14:57
Um cantor consagrado da MPB se tornou alvo de uma disputa judicial envolvendo o atraso no pagamento de aluguel de um imóvel de alto padrão em Vitória (ES). As informações foram relatadas pela proprietária do imóvel, que preferiu não se identificar e compartilhou sua versão dos fatos em entrevista ao portal LeoDias.
A situação também envolve o irmão do artista, apontado como responsável pela administração do contrato e citado no processo. Apesar das acusações de inadimplência, o caso ganhou complexidade após a análise dos autos, que revelam divergências quanto aos contratos firmados e à forma como os pagamentos teriam sido realizados.
Documentos obtidos pelo portal mostram que o processo tramita em primeira e segunda instâncias. Segundo a proprietária, identificada como Ana, o cantor Silva e o irmão acumulam quatro meses de aluguel em atraso, caminhando para o quinto mês sem pagamento.
Em um dos trechos enviados, ela critica a postura do artista: "O cantor prefere pagar advogado caríssimo a pagar os aluguéis". A proprietária também afirma depender diretamente da renda do imóvel para se manter e auxiliar os pais idosos. "Eu dependo do aluguel para meu sustento e ajudo meus pais idosos, pai cego e mãe com mal de Alzheimer", relatou.
VEJA TAMBÉM
De acordo com Ana, o contrato mais recente previa aluguel mensal de R$ 13 mil, após um valor anterior de R$ 10 mil, em 2022. Ela afirma que os pagamentos teriam sido interrompidos em dezembro de 2025, gerando uma dívida inicial estimada em cerca de R$ 47 mil. Além disso, aponta que houve tentativas de antecipação de valores até 2028 sem sua autorização. "Os inquilinos fizeram pagamentos antecipados de aluguel até o ano de 2028, sem o consentimento do proprietário, obviamente, que sou eu".
Ainda segundo a proprietária, os valores antecipados seriam inferiores ao combinado em contrato. Ela detalha que o imóvel, avaliado em aproximadamente R$ 6 milhões, teria aluguel de mercado em torno de R$ 17 mil, embora estivesse sendo alugado por um valor menor. Em um exemplo citado, um pagamento de R$ 25 mil referente a 2028 equivaleria a cerca de R$ 2 mil mensais. "Fez antecipações em valores ínfimos, obtendo vantagem indevida e usando de má-fé", afirmou.
Diante do cenário, Ana diz ter recorrido à Justiça e enfrentado custos adicionais. "Tive que gastar dinheiro que não tenho para acionar um advogado, pagamento de custas judiciais, tive que pagar vistoria para a casa e, por fim, pegar dinheiro emprestado para poder dar conta dos meus compromissos". Ela afirma ainda que precisou recorrer a empréstimos bancários para manter suas despesas, enquanto também arca com o aluguel do imóvel onde vive atualmente.
Outros pontos levantados pela proprietária ampliam a disputa. Segundo ela, a casa, localizada no bairro Fradinhos, foi colocada para locação após a família se mudar para um imóvel menor, com o objetivo de gerar renda. O imóvel, inclusive, estaria à venda.
De acordo com a versão apresentada, duas avaliações independentes indicaram valores de mercado superiores ao aluguel praticado, reforçando a alegação de que o preço cobrado estaria abaixo do potencial do imóvel.
Tentativa de contato e ação de despejo
Antes de acionar a Justiça, a proprietária afirma ter tentado resolver a situação de forma amigável, sem sucesso. Segundo ela, notificações extrajudiciais foram ignoradas, o que levou ao ingresso de uma ação de despejo.
Ela também relata dificuldades na comunicação com o irmão do cantor. Em um dos encontros, segundo sua versão, ele teria sido "ríspido" e orientado que qualquer tratativa fosse feita exclusivamente por meio de advogados.
A proprietária e o marido afirmam ainda que identificaram alterações no imóvel sem autorização prévia, incluindo mudanças na área externa.
O processo segue em andamento, com apresentação de documentos e recursos por parte da defesa, que tenta reverter decisões iniciais.
Versão apresentada pela defesa de Silva aponta contratos distintos
Procurados pelo portal, Silva e seu irmão foram representados pelo advogado Dr. Henrique Zumak, que apresentou uma versão diferente dos fatos. Segundo a defesa, há dois contratos distintos no processo, ambos datados de outubro de 2025, o que gera dúvidas sobre qual documento seria válido.
Diante das divergências, o próprio processo não apresenta uma narrativa única. O juiz responsável negou o pedido de despejo liminar, destacando que ainda não é possível confirmar a existência de inadimplência sem uma análise mais aprofundada das provas.
Outro ponto central envolve a atuação de um corretor que intermediou a locação desde 2022. De acordo com a defesa, os pagamentos teriam sido feitos a esse intermediador, inclusive com valores antecipados referentes a períodos futuros.
Nos autos, há registros de transferências e conversas que indicam a participação do corretor na gestão do contrato, o que levou o magistrado a considerar necessária uma investigação mais detalhada.
Por outro lado, a proprietária sustenta que pagamentos realizados a terceiros não eximem o locatário de suas obrigações, argumentando que o corretor não teria autorização para alterar valores ou condições contratuais.
Diante desse cenário, a Justiça autorizou apenas medidas pontuais, como a realização de vistoria no imóvel, adiando decisões mais incisivas até o esclarecimento completo dos fatos.
A defesa do cantor reforça que o caso não se resume a uma simples inadimplência, apontando possíveis irregularidades na intermediação do contrato. Segundo o advogado, há indícios de que a própria proprietária também possa ter sido impactada pela atuação do corretor - questão que ainda será analisada judicialmente.
Enquanto isso, o processo continua em andamento, sem decisão definitiva e sem reconhecimento formal de dívida até o momento.