Reprodução TV Globo Por que Giulia Gam decidiu dizer 'não' a trabalhos na Globo
Redação Entretenimento
14/03/2026 08:00
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Na época, as recusas acabaram aproximando a atriz do autor Mário Prata, que teve um papel importante em suas decisões profissionais.
"Eu não aceitava os convites, mas aí eu conheci o [autor] Mário Prata, porque eu rejeitei uma novela dele. A gente acabou ficando amigo. Ele começou a falar para mim assim: 'Segura [os convites]. Segura, porque quanto mais você segurar, mais mistério e interesse vão ter em você'", recordou.
Com o passar do tempo, surgiram propostas cada vez mais atrativas, o que fez a atriz reconsiderar sua posição. "Foram me chamando para um papel melhor para [uma novela das] sete... E eu apavorada, porque pensei: 'Pô, é a Globo! Não posso ficar recusando'", contou.
Estreia na televisão
A estreia na televisão acabou acontecendo em Mandala, exibida em 1988 e escrita por Dias Gomes. Na produção, Giulia interpretou a personagem Jocasta na primeira fase da história, papel que posteriormente foi assumido por Vera Fischer.
O fato de a trama ser inspirada na mitologia grega foi determinante para que ela aceitasse o convite. "Era uma coisa grega, do Édipo, então justificava. Havia muito preconceito meu. A ideia de servir a um deus do teatro, à religiosidade do teatro", admitiu.
Apesar da experiência inicial breve, a repercussão foi imediata. "Só que não são só 15 capítulos e você volta para casa como se nada tivesse acontecido. Eu não era um rosto conhecido, e isso na época era chocante, porque as pessoas iam galgando um caminho para chegar ali. Então, foi um impacto maior ainda: 'De onde vem essa pessoa?'. Foi uma curiosidade enorme", relembrou.
A atriz também comentou como lidou com a fama repentina que veio após sua estreia na televisão. "Eu estava em um hotel no Rio de Janeiro e ia todo dia de ônibus para o Jardim Botânico, onde era a Globo. Um dia, eu desci do elevador e todo mundo na recepção começou a me olhar, a vir em cima de mim. Na rua, não consegui pegar o ônibus, tive que pegar um táxi", contou.
A partir dali, Giulia Gam construiu uma trajetória sólida nas novelas, participando de produções como "O Primo Basílio", "Que Rei Sou Eu?", "Fera Ferida", "Dona Flor e Seus 2 Maridos", "Mulheres Apaixonadas", "A Favorita", "Sangue Bom" e "Boogie Oogie".
Saúde mental
Longe das novelas há cerca de 12 anos, a artista passou um período afastada para cuidar da saúde mental, enfrentando questões como a depressão. Recentemente, ela retomou os trabalhos nos palcos com a peça Senhora dos Afogados, apresentada no Teatro Oficina.
Ao comentar sobre a possibilidade de voltar à televisão, Giulia demonstrou carinho pelo público que acompanha sua trajetória. "É um pedido de todo mundo, acho tão bonitinho. Todo mundo fala: 'Você não está na televisão, a gente está com saudades de você'. Ou então: 'Nossa, que prazer te ver de volta ao palco'. É muito legal. Tomara que eu pegue o fio da meada novamente."