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Mamonas Assassinas: bombeiro detalha como ficaram os corpos após a queda

Músicos morreram após sofrerem um acidente aéreo em março de 1996

Músicos morreram após sofrerem um acidente aéreo em março de 1996 Reprodução
Mamonas Assassinas: bombeiro detalha como ficaram os corpos após a queda
Redação Entretenimento clock 06/03/2026 15:49
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Trinta anos após o acidente aéreo que matou os integrantes dos Mamonas Assassinas, relatos sobre o trabalho de resgate voltaram a repercutir nas redes sociais. A tragédia ocorreu em 2 de março de 1996, quando o avião que transportava a banda caiu na Serra da Cantareira, em São Paulo.

 

Os detalhes vieram à tona novamente após o coronel do Corpo de Bombeiros Jefferson de Melo relembrar a operação realizada naquela noite. Ele esteve à frente da equipe que atuou no local do desastre e falou sobre a experiência durante participação no TikTal Podcast, comandado por Rei Dias.

 

Segundo o militar, quando o chamado chegou aos bombeiros ainda não havia confirmação sobre o que realmente havia acontecido. Naquele período, os meios de comunicação eram mais limitados.

 

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“Essa ocorrência tem uma particularidade muito grande. Primeiro, que na época a gente nem tinha celular, usava famoso bip. Pra ajudar, foi no sábado à noite. Veio a demanda que a população achava que tinha caído um avião e o quartel foi acionado. Ninguém tinha certeza de nada e não sabia que era o avião dos Mamonas”, começou ele.

 

De acordo com Melo, apenas algum tempo depois surgiram as primeiras informações indicando que a aeronave poderia ser a que transportava os músicos. Quando os bombeiros iniciaram as buscas pela área de mata atingida, passaram a seguir os vestígios deixados pela queda.

 

“A gente foi seguindo o trajeto dos estragos que o avião fez. Você via pedaço de avião em cima de árvore, aqui e ali, e descendo o morro até que encontramos os primeiros corpos, que eram o piloto e o copiloto”, disse.

 

Conforme as vítimas eram localizadas, as equipes optaram por reunir os corpos em um mesmo ponto para facilitar o trabalho de identificação e organização da operação.

 

“O que nós fizemos? Conforme íamos encontrando os integrantes, removíamos e fomos concentrando todos em um local só, pra ficar tudo junto. E, assim, bombeiro está acostumado, mas não é uma coisa agradável de se ver. Eram famosos, tivemos que fazer um isolamento grande”, comentou.

 

Durante o resgate, os socorristas perceberam que ainda faltava localizar uma das vítimas, o que gerou preocupação entre os profissionais envolvidos.

“E faltava um, na soma, faltava um. [Pensaram] ‘E agora? Falta um, quem é?’. Naquele calor…. A gente ficava olhando, eles estavam bem, digamos assim, lesionados para identificar ‘tá faltando fulano de tal’. Não dava pra falar isso”, relatou.

 

O coronel também destacou que, entre as vítimas, o piloto e o copiloto foram os que apresentaram menos danos visíveis. “Quem ficou menos lesionado foi o piloto e o copiloto. Praticamente, eram os únicos que estavam inteiros”, afirmou.

 

A localização do último corpo ocorreu após a ajuda de um morador da região, que procurou os bombeiros com uma informação importante.

 

“E chegou um senhor em mim e falou ‘eu vi, há uns 200 metros daqui, um braço’. Falei ‘senhor, não comenta com ninguém, vou chamar mais uns bombeiros aqui e vamos pra lá’. Chamei uns três bombeiros, ele saiu e nós saímos atrás”, contou.

 

Ao chegar ao ponto indicado, os bombeiros perceberam que a situação era diferente do que imaginavam inicialmente.

 

“Quando chegamos lá, vi o braço e a vegetação cobrindo na altura do ombro. Então, dava a impressão que seria só o braço. Quando fui puxar, achando que era uma coisa mais leve, vi que não era só o braço. Era o corpo todo. E ali achamos o último”, declarou.

 

No desfecho do relato, o militar explicou como ocorreu o reconhecimento da vítima.

 

“Ele tinha o tronco e um braço só, não tinha os outros membros e tava de bermuda. Aí, um parente falou que era o vocalista [Dinho]. Ele foi reconhecido por um tio, que foi com a gente lá. As equipes continuaram e acredito que os outros fragmentos [do corpo] foram encontrados”, concluiu. 

 

 

 

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