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Oscar Maroni: herdeiros revelam causa da morte e fazem mudança no 'Bahamas'

Dono do Bahamas Hotel Club, empreendimento fundado por ele nos anos 1990, em São Paulo, morreu em dezembro aos 74 anos

empresário em foto reprodução Instagram
Herdeiros de Oscar Maroni abrem o jogo e promovem rebranding do Bahamas
Redação Entretenimento clock 19/01/2026 13:35
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Ao longo dos últimos cinco anos, Oscar Maroni, que morreu em dezembro aos 74 anos, passou a apresentar um comportamento cada vez mais rígido e centralizador no comando do Bahamas Hotel Club, empreendimento fundado por ele nos anos 1990, em São Paulo. O local, que lhe rendeu fama e fortuna, também esteve no centro de controvérsias, incluindo uma prisão por acusação de exploração da prostituição e disputas judiciais que se arrastaram por anos.

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Para os filhos, a mudança de postura era difícil de compreender. Sugestões simples, como a realização de reparos no salão, despertavam irritação imediata. Reuniões não avançavam e decisões pareciam perder lógica, alternando entre hesitação e atitudes ainda mais impulsivas do que as que sempre marcaram sua personalidade.

Mesmo diante dos sinais, poucos se sentiam à vontade para confrontar o homem conhecido como o "rei da noite". Esse cenário começou a mudar em 2023, quando Maroni sofreu uma queda e precisou passar por um procedimento para retirada de um coágulo no cérebro. Após a cirurgia, os filhos passaram a convencê-lo a realizar exames médicos sob o pretexto de consultas ortopédicas.

Com o tempo, o empresário deixou de demonstrar o interesse obsessivo pelo Bahamas, que havia sido o centro de sua vida. Em vez disso, passou a perguntar insistentemente pela ex-esposa, mãe de seus quatro filhos: "Ela não vem me visitar?". Marisa Vaccari, no entanto, havia morrido em 2022, vítima de câncer. O casal se separou quando os filhos ainda eram adolescentes.

Causa da morte


Em 2022, Maroni enfrentou um tratamento contra um câncer de próstata, mas, em novembro de 2025, exames revelaram uma metástase. A evolução da doença levou à falência múltipla de órgãos, culminando em sua morte no dia 31 de dezembro de 2025. Até então, a causa não havia sido tornada pública.

Durante um período, acreditou-se que os sintomas neurológicos estivessem relacionados ao Alzheimer. No entanto, em entrevista à GQ Brasil, o herdeiro Aratã Maroni, de 38 anos, explicou que o pai, na verdade, sofria de Demência Frontotemporal (DFT), condição que afeta os lobos frontais do cérebro. "Essas regiões estão ligadas ao comportamento social, ao controle das emoções e à linguagem", esclarece o neurologista Fabiano Ferreira de Abrantes, da Rede D'Or, ouvido pela revista e sem vínculo com o caso.

Segundo o especialista, diferentemente do Alzheimer, a DFT nem sempre provoca perda de memória recente. O diagnóstico exige exames de imagem e acompanhamento clínico contínuo, já que não se manifesta por um único sintoma. A origem costuma ser genética, mas, até hoje, não há um agente específico identificado pela ciência.

Sem cura conhecida, o tratamento se concentra no controle dos sintomas, com uso de antidepressivos e antipsicóticos. "Vê-se dificuldade para realizar tarefas complexas, apatia, perda de empatia, desinibição e adoção de comportamentos repetitivos e compulsivos", detalha Abrantes. A doença também pode comprometer a linguagem, gerar erros gramaticais e fazer o paciente esquecer o significado das palavras.

"Ele sabia quem a gente era, mas se confundia. Me chamava de Eros, que é o nome do meu tio, mas sabia que estava falando comigo", recorda Aratã. Com o agravamento do quadro, Maroni chegou a ficar em uma casa de repouso em São Paulo, mas, a partir de meados de 2023, passou a ser tratado na fazenda da família, em Araçatuba, com cerca de 1.300 hectares, onde os Maroni mantêm criação de gado e cultivo de soja, cana e milho.

Rebranding do Bahamas


Com a saúde do pai debilitada, os filhos assumiram gradualmente a gestão do Bahamas. O edifício localizado em Moema, bairro conhecido por abrigar uma rota discreta do sexo liberal de alto padrão em São Paulo, passou a ser administrado por Aratã, responsável por liderar a expansão e reposicionamento da marca após a divisão das empresas herdadas.

A principal aposta agora é um rebranding, com a intenção de modernizar a imagem do negócio. O primeiro passo foi a inauguração da Bahamas Burguer, em dezembro, com sanduíches de nomes provocativos como "Ménage à trois", "Noite picante" e "Pós-balada". Nos próximos planos estão a criação de um espaço gastronômico mais sofisticado no andar superior e uma balada descrita pelo herdeiro como "mais sem vergonha" no subsolo.

A inspiração vem de Hugh Hefner, fundador da Playboy, cuja marca extrapolou o erotismo para se tornar um símbolo de lifestyle. A proposta é manter o Bahamas ligado à sexualidade, mas ampliar sua atuação para produtos e experiências. "Minha ideia é que o marido possa comprar uma lingerie com o [logo] do coqueirinho para a esposa sem deixá-la brava", afirma Aratã.

O prédio do Bahamas conta com 22 suítes, que variam de tamanho conforme o andar. Obcecado por mármore, Maroni mandou revestir todo o piso com a pedra. Logo na entrada, o espaço reúne mesas, um lago artificial com carpas, piano, bar com garçom de gravata borboleta e áreas reservadas que funcionam como camarotes. Um aviso na parede deixa claro: é proibido fotografar qualquer ambiente interno.

A localização sempre foi considerada estratégica, próxima ao aeroporto de Congonhas. Durante o dia, o som e a vibração dos aviões fazem parte do cenário - um detalhe que, na visão do fundador, facilitava a chegada de executivos e turistas dispostos a gastar em experiências exclusivas.
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