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Maria Fernanda Cândido: descubra o que a atriz tem feito longe da TV

Prestes a estrear no palco do Théâtre du Soleil, a artista reafirmou possuir uma vida guiada por princípios

Maria Fernanda Cândido em parque reprodução Instagram
Maria Fernanda Cândido: o que a atriz tem feito após se mudar para Paris?
Redação Entretenimento clock 08/11/2025 09:00
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Viver em Paris não afastou Maria Fernanda Cândido de suas raízes - pelo contrário, a experiência acendeu uma nova percepção sobre sua identidade. "Morando fora do Brasil, eu fiquei muito mais brasileira", afirma a atriz, que se mudou para a França em 2017, ao lado do marido, o francês Petrit Spahija, e dos dois filhos.

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A frase, repetida com serenidade, resume bem seu momento atual: o de uma mulher que aprendeu a transitar entre culturas sem perder a essência. "Eu consigo, estando aqui, entender o código deles e dialogar com isso", diz a atriz em entrevista à revista Marie Claire.

Adaptar-se à formalidade francesa exigiu sutileza. O toque contido, a distância educada e o respeito às formas convivem com o gesto e o calor de quem se define como profundamente brasileira. Em Maria Fernanda, identidade não é performance - é método. Esse método nasce das raízes: o rigor humanista do Colégio São Luís, de tradição jesuíta; o engajamento em projetos sociais na juventude; e a influência filosófica de Hannah Arendt, cuja obra inspirou seu trabalho de conclusão de curso e permanece como farol ético.
 

É justamente de Arendt que surge a ideia que orienta suas escolhas profissionais: entretenimento distrai, arte convoca. "A pergunta que me guia é simples e difícil: que ética se une a que estética?", reflete. Essa coerência transparece em sua trajetória - de adaptações literárias de Machado, Clarice e Hatoum a filmes autorais no Brasil e na Europa, como O Traidor, de Marco Bellocchio. "Eu não penso na plataforma", resume. "O que importa é a obra, quem assina e como dá forma."

Essa fidelidade à própria visão também explica o afastamento da lógica da celebridade. "Podemos chamar de low profile o meu jeito? Reservada ou discreta?", provoca, entre risos. A discrição, porém, não é estratégia: é consequência de uma educação baseada em princípios e da clareza entre o que tem valor e o que apenas tem preço. Ainda jovem, como modelo, recusou campanhas milionárias de cigarro; mais tarde, na carreira de atriz, manteve o mesmo critério ao selecionar projetos que realmente fizessem sentido. "Nem toda equação precisa fechar. E está tudo bem."

Nos últimos anos, Paris também lhe presenteou com um novo lar artístico: o Théâtre du Soleil, fundado por Ariane Mnouchkine. Nesse espaço coletivo, Maria Fernanda encontrou uma comunidade que respira arte em partilha. "Sou muito grata à Ariane... Ela me deu um lugar, me considerou e me abriu as portas", reconhece.

Em 2026, ela sobe pela primeira vez ao palco do lendário teatro parisiense com o espetáculo Ballade au-dessus de l'abîme, inspirado em textos de Clarice Lispector e dirigido por Maurice Durozier. "Estar neste palco é, para mim, de uma felicidade enorme", confessa.

O olhar atento à moda segue a mesma filosofia de autenticidade e permanência. Próxima do universo do luxo há décadas - e uma das primeiras brasileiras a vestir Armani -, Maria Fernanda nunca tratou roupas como tendência passageira, mas como diálogo entre forma e essência. "O que fica bem comigo, com esse corpo, com esse perfil de personalidade?", questiona. E observa, com olhar crítico, as transformações da capital francesa: "A Paris do corte impecável e do tecido escolhido ainda existe, mas hoje convive com um consumo desenfreado que mudou o ritmo da cidade. A de antes virou ilhas; é preciso procurar."

Nos bastidores, o brilho cede espaço à rotina. Em casa, o Instagram é apenas ferramenta profissional - não uma janela de exposição pessoal. "O digital aproxima quem está distante, mas distancia muito quem está perto", reflete. O contrapeso vem dos gestos simples: mesa posta, massa fresca, strogonoff para os filhos, bolo de goiabada ou de laranja com casca. "Eu pareço ser zen, mas sou enérgica, faço mil coisas. A diferença é agir pensando, não por impulso."

A maternidade também entrou em nova fase. Com Tomás, de 19 anos, estudante de Literatura na Sorbonne, e Nicolas, de 17, a atriz revisita o papel de mãe sob outra perspectiva. "Aprendi a pensar junto com eles, sem impor. Se a sintonia em casa falha, o resto perde sentido", diz, com a serenidade de quem entende o tempo das relações.

Entre os próximos projetos, há espaço para novos desafios: escrever, talvez dirigir, e aprofundar reflexões artísticas. O trabalho com Kleber Mendonça Filho em O Agente Secreto - no qual interpreta Elza, personagem criada especialmente para ela - já aponta essa nova direção.

Na capa e na vida, Maria Fernanda Cândido continua a sustentar a própria bússola em tempos de ruído. Entre Paris e o Brasil, entre o palco e a casa, ela reafirma o que considera essencial. "Eu acredito muito no encontro humano." Todo o resto, garante, é apenas barulho.
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