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Oruam deixa prisão no Rio e é aclamado por legião de fãs

Rapper recebeu uma recepção calorosa do público após ficar 69 dias detido

Rapper recebeu uma recepção calorosa do público após ficar 69 dias detido Reprodução/Instagram
Oruam deixa prisão no Rio e é aclamado por legião de fãs
clock 29/09/2025 18:09
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O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, deixou a prisão nesta segunda-feira (29), após uma liminar concedida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O artista estava detido desde o fim de julho na penitenciária Serrano Neves, mais conhecida como Bangu 3A, localizada no Complexo de Gericinó, zona oeste do Rio de Janeiro.

 

Acusado de tentativa de homicídio contra dois agentes da Polícia Civil do Rio — o delegado Moyses Santana Gomes e o oficial Alexandre Alves Ferraz — Oruam passou 69 dias preso de forma preventiva. No momento da soltura, o cantor chamou atenção ao deixar a unidade prisional usando uma máscara do Homem-Aranha.

 

A Secretaria de Administração Penitenciária do Rio confirmou que o alvará de soltura foi cumprido às 17h08 da última sexta-feira (26), via sistema eletrônico, obedecendo à decisão do STJ que substituiu a prisão por medidas cautelares.

 

Entre as obrigações impostas pela Justiça, o artista deve comparecer a todas as audiências do processo, manter residência no estado do Rio de Janeiro com endereço e telefone atualizados, além de estar proibido de frequentar o Complexo do Alemão.

 

 

 

Em nota conjunta, os advogados de Oruam celebraram a decisão da Corte: "A decisão restabelece a regra do processo penal: a liberdade", destacaram os escritórios FHC Advogados, Nilo Batista & Advogados Associados e Gustavo Mascarenha & Vinícius Vasconcellos Advogados. A defesa sustenta que a prisão foi ilegal e motivada por razões "estranhas ao processo".

 

"Nunca existiram evidências acerca de cometimento de crime e tampouco acerca da necessidade da prisão provisória. Mauro Davi se submeterá às medidas cautelares diversas a serem determinadas e, como vem fazendo, provará sua inocência no curso do processo", completaram os advogados.

 

 

O ministro Joel Ilan Paciornik, relator do habeas corpus, argumentou que a prisão preventiva decretada pela 3ª Vara Criminal da capital fluminense baseou-se em justificativas “vagas”, sem demonstração concreta de risco de fuga ou reincidência.

 

O magistrado lembrou ainda que Oruam é réu primário e se apresentou voluntariamente para o cumprimento da ordem de prisão, o que afasta a presunção de tentativa de evasão.

 

Segundo Paciornik, a gravidade do crime e o impacto social gerado pelo caso não são suficientes, por si só, para manter alguém preso preventivamente. “A jurisprudência pacífica desta Corte Superior repudia a manutenção da prisão preventiva com base em fundamentação genérica, abstrata ou baseada em meras ilações”, escreveu o ministro, enfatizando que a custódia cautelar deve ser exceção, justificada apenas em casos de real necessidade.

 

 

O episódio que levou à prisão do rapper ocorreu em 21 de julho, quando agentes da Polícia Civil foram até sua casa, no bairro do Joá, zona oeste da cidade, para cumprir um mandado de busca e apreensão contra um adolescente que estaria descumprindo medida socioeducativa.

 

Durante a ação, de acordo com a corporação, Oruam teria surgido na varanda e, junto a outros homens, lançado pedras contra os policiais. Dois deles relataram ter sido atingidos.

 

 

Após o confronto, a Justiça Estadual decretou a prisão preventiva do cantor, que se entregou no dia seguinte. No entanto, a defesa contesta toda a versão apresentada pela Polícia Civil.

 

 

Os advogados afirmam que não há provas de que o artista tenha arremessado qualquer objeto e ressaltam que as perícias realizadas sobre uma arma supostamente atribuída a ele foram inconclusivas.

 

Oruam é filho de Marcinho VP, um dos nomes mais conhecidos do crime organizado no Brasil. Condenado a mais de 30 anos de prisão, Marcinho é apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho, facção que atua no tráfico de drogas no Rio de Janeiro. O rapper é o quarto filho do criminoso.

 

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