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Padre é denunciado ao Ministério Público por ofensas à fé de Preta Gil

Vereadora Benny Briolly acionou o MP após declarações consideradas intolerantes feitas pelo padre Danilo César

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Religião de Preta Gil vira alvo de ataque e padre é denunciado
Redação Entretenimento clock 01/08/2025 07:29
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A vereadora Benny Briolly acionou o Ministério Público após declarações consideradas intolerantes feitas pelo padre Danilo César durante uma missa realizada na Paróquia de Areial, em Campina Grande (PB). 

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O episódio ocorreu no domingo, 27 de julho, quando o padre Danilo César fez comentários sobre Preta Gilfalecida recentemente, durante sua homilia. A cerimônia foi transmitida ao vivo pelo canal da igreja no YouTube, mas o vídeo foi retirado do ar após a repercussão negativa entre amigos e familiares da cantora.

"Como é o nome do pai de Preta Gil? Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?", questionou o sacerdote em tom de deboche, referindo-se às crenças da artista, que seguia uma religião de matriz africana.

Diante da fala, Benny apresentou uma denúncia formal por intolerância religiosa e discurso de ódio. "É inaceitável o que foi dito pelo padre Danilo César durante o sermão. Ele não apenas zombou da morte de Preta Gil, que faleceu aos 50 anos vítima de um câncer, como desrespeitou sua fé e ridicularizou elementos das religiões de matriz africana, como os orixás, incitando ódio e intolerância contra outras crenças religiosas", declarou a parlamentar.

Durante o mesmo discurso, o padre continuou com comentários ofensivos voltados a praticantes de religiões como o Candomblé e a Umbanda. "Eu peço saúde, mas não alcanço saúde, é porque Deus sabe o que faz, ele sabe o que é melhor para você, que a morte é melhor para você... E tem gente católico que pede essas forças ocultas. Eu só queria que o diabo viesse e levasse. Quando acordar com calor no inferno, você não sabe o que vai fazer", afirmou ele, ampliando as críticas e estigmatizando outras crenças.

Para Benny, as falas ultrapassam o limite da liberdade de expressão e configuram crime. "Essas declarações não só demonstram intolerância religiosa, como também estimulam o desrespeito e a hostilidade contra religiões de matriz africana e seus praticantes, violando os princípios constitucionais da liberdade religiosa, da igualdade e da dignidade humana."

A vereadora lembrou que a Lei nº 7.716/89, em seu artigo 20, define como crime a incitação ao ódio ou discriminação por motivo de religião. Além disso, citou o artigo 5º, inciso VI, da Constituição Federal, que assegura a liberdade de crença e proíbe qualquer forma de discriminação religiosa. Também mencionou o artigo 208 do Código Penal, que prevê punições para atos que vilipendiem cultos ou rituais religiosos.

"Solicito que as falas do padre Danilo César sejam devidamente apuradas e que ele seja responsabilizado pelos atos de intolerância religiosa e incitação ao ódio. É fundamental que providências sejam tomadas para que esse tipo de manifestação não se repita e que haja punição conforme a legislação vigente", concluiu Benny Briolly, que é a primeira parlamentar travesti do estado do Rio de Janeiro.
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