Transou e a pessoa se afastou? Entenda o que esse comportamento significa
Práticas intensas podem fazer parte do sexo, mas exigem consentimento e limites claros
Pexels
Tapas, puxões de cabelo, mordidas e outras práticas mais intensas passaram a aparecer com frequência maior nas representações de sexo em filmes, séries, redes sociais e pornografia. O chamado rough sex, ou sexo mais intenso, não é necessariamente uma experiência violenta: quando existe acordo entre os envolvidos, determinadas práticas podem fazer parte da vida sexual. O problema começa quando a agressividade é imposta, quando os limites não são respeitados ou quando uma pessoa não teve a chance de consentir.
Uma revisão publicada em agosto de 2026 no Journal of Sex Research reuniu pesquisas de diferentes países sobre o tema. Os autores destacam que práticas classificadas como rough sex se tornaram mais presentes entre adultos jovens e que algumas delas, como estrangulamento e sufocamento, podem oferecer riscos importantes à saúde. O trabalho também chama atenção para a influência da pornografia, das redes sociais e da mídia na maneira como parte dos jovens conhece essas práticas.
Intensidade não é sinônimo de violência
A diferença não está simplesmente no tipo de prática, mas na forma como ela acontece. Uma atividade sexual pode ser intensa e continuar sendo consensual quando todos os envolvidos concordam com aquilo, conhecem seus limites e podem interromper a qualquer momento. No BDSM, por exemplo, consentimento, comunicação e limites são elementos centrais da dinâmica.
O cenário muda quando alguém introduz uma prática sem conversar antes, continua depois de uma recusa ou ignora sinais de desconforto. Nesses casos, não se trata apenas de uma diferença de preferência sexual. A ausência de consentimento transforma a situação em uma violação dos limites da outra pessoa.
O que os estudos mostram?
Uma pesquisa representativa com 9.029 adultos nos Estados Unidos investigou dez comportamentos associados ao chamado rough sex. Entre as mulheres entrevistadas, 53,8% disseram que um parceiro já havia realizado pelo menos uma dessas práticas com seu consentimento. Ao mesmo tempo, 19,6% relataram ter passado por pelo menos uma delas sem consentimento.
Os números não permitem dizer que sexo agressivo tenha se tornado “normal” de maneira geral. Eles mostram, porém, que práticas desse tipo fazem parte das experiências sexuais de uma parcela da população e que existe uma diferença importante entre aquilo que é desejado e aquilo que é imposto.
Pornografia influencia a expectativa sobre o sexo?
Essa é uma das questões levantadas pelas pesquisas mais recentes. A revisão publicada em 2026 aponta que adolescentes e adultos jovens relatam ter conhecido práticas de rough sex por meio de pornografia, redes sociais e produções da mídia. Isso não significa que o consumo desses conteúdos provoque, sozinho, comportamentos agressivos, mas levanta uma preocupação sobre como determinadas cenas podem ser interpretadas quando não vêm acompanhadas de informações sobre consentimento e limites.
Uma reportagem recente da Folha de S.Paulo também trouxe relatos de mulheres e homens gays que passaram por tapas, mordidas e outras condutas sem consentimento durante relações sexuais. O debate levantado pelo jornal é justamente sobre a confusão entre uma relação mais intensa e comportamentos que ultrapassam aquilo que foi combinado entre os parceiros.
No fim, a pergunta não é apenas se uma prática parece agressiva. É preciso saber se ela foi desejada, combinada e se os limites de todos foram respeitados. Intensidade pode fazer parte do prazer de algumas pessoas. Violência, não.