UAI

'Cushioning': ter um plano B enquanto namora é traição?

O termo descreve a prática de manter possíveis interesses amorosos por perto enquanto se está em um relacionamento; entenda onde ficam os limites

Pexels
'Cushioning': por que manter um plano B virou comportamento comum no namoro?
Redação Entretenimento clock 22/09/2026 17:10
compartilhe icone facebook icone twitter icone whatsapp SIGA NO google-news

 

Ter alguém por perto caso o relacionamento atual termine pode parecer uma forma de se proteger de uma possível decepção. Nos últimos meses, esse comportamento ganhou um nome nas redes: cushioning. A expressão, que vem de cushion, “almofada” em inglês, é usada para descrever quem mantém possíveis interesses amorosos em segundo plano enquanto continua em uma relação, como se criasse uma espécie de amortecedor para um eventual término.

Leia Mais

 

A prática não significa necessariamente ter outro relacionamento ao mesmo tempo. Pode envolver conversas frequentes, flertes ou a manutenção de uma proximidade com alguém que poderia se transformar em um novo interesse caso a relação atual chegue ao fim. O ponto central está na intenção de manter aquela possibilidade aberta, e não simplesmente em ter amigos ou contatos fora do namoro.

 

Por que alguém mantém um plano B?

 

Especialistas ouvidos recentemente por veículos internacionais associam o comportamento a fatores como medo de ficar sozinho, insegurança e dificuldade de lidar com a incerteza de um término. Ter outra pessoa esperando nos bastidores pode criar, ainda que temporariamente, uma sensação de segurança diante da possibilidade de perder o relacionamento atual.

 

Também pode existir uma tentativa de evitar a vulnerabilidade. Em vez de enfrentar dúvidas ou insatisfações dentro da relação, a pessoa mantém uma alternativa disponível. Isso não significa, por si só, que exista uma causa única para o comportamento, mas ajuda a entender por que a ideia de um “plano B” pode ser atraente para algumas pessoas.

 

É traição?

 

Não existe uma regra universal que determine que cushining seja traição. Em relacionamentos fechados, porém, manter deliberadamente um interesse amoroso em segredo pode ser entendido pelo parceiro como uma quebra de confiança. A fronteira depende também dos acordos estabelecidos pelo casal e do grau de transparência existente entre os dois.

 

É aí que o comportamento se diferencia de uma amizade. Ter contato com um ex, conversar com alguém ou manter vínculos fora do namoro não significa automaticamente que exista cushining. A questão está no lugar que aquela relação ocupa e na intenção por trás de mantê-la.

 

Quando o “plano B” vira um problema?

 

O segredo pode ser um dos pontos mais delicados. Se a pessoa sente necessidade de esconder conversas, minimizar a proximidade com alguém ou manter uma possibilidade amorosa fora do conhecimento do parceiro, a situação deixa de ser apenas sobre ter outras conexões.

 

No fim, o debate provocado pelo cushining passa menos pela existência de um “contatinho” e mais pelos limites combinados dentro de cada relação. Para alguns casais, determinadas interações podem não representar problema. Para outros, manter alguém como possível substituto já ultrapassa aquilo que entendem como compromisso.

 

O termo pode ser novo, mas a dúvida é antiga: até onde vai a liberdade de manter outras conexões quando se está em um relacionamento? A resposta depende menos do nome dado ao comportamento e mais da transparência e dos acordos entre quem está envolvido.

 

compartilhe icone facebook icone twitter icone whatsapp
x