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Um quer sexo, o outro não: por que isso acontece no casal?

Diferenças no desejo são comuns nas relações e podem estar ligadas a fatores emocionais, físicos, rotina e à própria dinâmica entre os parceiros

Um quer mais sexo que o outro: como lidar com a diferença de libido Pexels
Quando o desejo não bate: como lidar com libidos diferentes no casal
Redação Entretenimento clock 13/08/2026 17:53
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Nem sempre duas pessoas que se gostam desejam sexo na mesma frequência e essa diferença pode aparecer mesmo em relações estáveis, com afeto, intimidade e boa convivência. Um parceiro pode sentir vontade com mais frequência, enquanto o outro atravessa uma fase de menor interesse. O problema costuma surgir quando essa distância passa a ser interpretada como rejeição, falta de atração ou sinal de que algo está errado com o relacionamento.

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A chamada discrepância de desejo sexual é uma experiência comum nos relacionamentos e não significa, por si só, que exista uma disfunção sexual. O desejo também não permanece necessariamente igual ao longo da vida. Estresse, cansaço, mudanças na rotina, gravidez e pós-parto, alterações hormonais, medicamentos, saúde física e emocional e a própria dinâmica do casal podem influenciar a libido.

 

Por isso, quando os ritmos deixam de coincidir, a primeira questão talvez não seja descobrir quem está "certo", mas entender o que está por trás daquela diferença.

 

Desejo não funciona como um relógio

 

Uma das armadilhas é transformar frequência em medida de interesse. Se uma pessoa quer sexo duas vezes por semana e a outra prefere uma vez por mês, por exemplo, não significa automaticamente que quem deseja menos esteja menos apaixonado.

 

O desejo sexual é influenciado por diferentes fatores e pode mudar de acordo com o momento da vida. A literatura científica sobre discrepância de desejo mostra que diferenças entre parceiros podem estar associadas à satisfação sexual e ao relacionamento, mas também que a maneira como o casal lida com essa diferença é importante.

 

Há ainda uma distinção entre desejo espontâneo e desejo responsivo. Algumas pessoas sentem vontade antes de qualquer aproximação; para outras, o interesse pode surgir durante momentos de intimidade, quando já existe contato físico, relaxamento e conexão. Isso ajuda a explicar por que a ausência de vontade imediata não significa necessariamente ausência de desejo.

 

Quando a diferença vira uma questão emocional

 

O conflito costuma ganhar outra dimensão quando a frequência sexual passa a ser interpretada como uma mensagem sobre o relacionamento.

 

Quem deseja mais pode começar a se sentir rejeitado ou pouco desejado. Quem quer menos pode sentir que está sendo pressionado a transar para provar amor ou preservar a relação. Aos poucos, o casal pode entrar em um ciclo em que cada tentativa de aproximação já carrega a expectativa de uma negativa, ou a obrigação de aceitar.

 

Esse cenário pode aumentar a tensão justamente em torno do assunto que deveria ser fonte de prazer.

 

Pesquisas sobre casais mostram que a comunicação sobre sexo está relacionada à satisfação sexual e ao relacionamento. Uma meta-análise que reuniu 93 estudos e mais de 38 mil participantes encontrou uma associação positiva entre comunicação sexual e satisfação; a qualidade das conversas, inclusive, apresentou relação mais forte com esses indicadores do que simplesmente conversar com maior frequência.

 

Falar sobre frequência é só o começo

 

Uma conversa sobre libido não precisa começar com "quantas vezes por semana?". A frequência é apenas uma parte da questão.

 

Pode ser mais útil entender quando cada pessoa costuma sentir vontade, o que favorece a aproximação e o que tem dificultado a intimidade. Sono, estresse, excesso de trabalho, conflitos não resolvidos, falta de privacidade ou mudanças no próprio corpo podem estar envolvidos.

 

Também vale observar se a diferença sempre existiu ou apareceu recentemente. Uma mudança brusca no desejo merece uma atenção diferente de uma característica presente desde o início da relação.

 

Em vez de "você nunca quer", uma conversa pode partir de perguntas mais específicas: "Você tem percebido alguma mudança no seu desejo?", "Existe alguma coisa tornando a intimidade mais difícil?" ou "O que faz você se sentir mais à vontade para se aproximar?".

 

A mudança na forma de abordar o tema pode parecer pequena, mas evita que uma diferença de libido seja transformada imediatamente em acusação.

 

Nem sempre é preciso chegar a um meio-termo

 

Existe uma ideia comum de que casais precisam encontrar uma frequência intermediária: se um quer quatro vezes e o outro uma, a solução seria fazer duas ou três vezes. A intimidade, porém, não funciona necessariamente como uma negociação matemática.

 

Sexo precisa acontecer com vontade e consentimento dos envolvidos. Encontrar um equilíbrio não significa que alguém deva aceitar uma relação sexual para compensar a diferença entre os dois.

 

O casal pode, em vez disso, ampliar a maneira como entende intimidade. Beijo, carinho, toque, proximidade física e outras formas de conexão podem fazer parte da vida afetiva sem que cada gesto precise necessariamente terminar em sexo.

 

Isso também reduz a sensação de que toda demonstração de afeto é um convite que precisa ser respondido.

 

Quando a queda de libido merece investigação

 

Uma libido naturalmente variável não é, por si só, motivo para procurar tratamento. A situação merece atenção quando a mudança é persistente, causa sofrimento ou interfere significativamente na vida pessoal e no relacionamento.

 

A redução do desejo pode estar relacionada a depressão, ansiedade, estresse, problemas de relacionamento, alterações hormonais, menopausa, gravidez e pós-parto, além do uso de determinados medicamentos. Condições de saúde também podem influenciar a sexualidade.

 

Por isso, uma queda importante e persistente não deve ser automaticamente atribuída ao relacionamento ou à falta de atração pelo parceiro. Dependendo do caso, a avaliação pode envolver ginecologista, urologista, psiquiatra, psicólogo ou terapeuta sexual.

 

O mesmo vale quando existe dor durante a relação, dificuldade persistente de excitação ou orgasmo, alterações de ereção ou qualquer outro sintoma que tenha surgido junto com a mudança de desejo.

 

O que acontece quando ninguém fala sobre isso?

 

Quando o assunto é evitado, cada pessoa pode criar sua própria explicação. Quem quer menos sexo pode acreditar que está decepcionando o parceiro. Quem quer mais pode concluir que deixou de ser atraente.

 

Essas interpretações nem sempre correspondem ao que está acontecendo.

 

Um casal pode continuar apaixonado e ter libidos diferentes. Pode existir desejo, mas faltar tempo, privacidade ou energia. Também pode haver uma questão médica ou emocional que ainda não foi identificada.

 

Por isso, falar sobre o assunto antes que ele se transforme em uma disputa pode ser mais importante do que encontrar uma solução imediata.

 

A diferença não precisa definir a relação

 

Ter desejos diferentes faz parte da diversidade das relações. O que pode se tornar desgastante é quando a diferença passa a ser usada como prova de amor, instrumento de cobrança ou motivo permanente de culpa.

 

Uma vida íntima satisfatória não depende necessariamente de duas pessoas desejarem exatamente a mesma coisa, na mesma intensidade e ao mesmo tempo. Depende, em grande parte, da possibilidade de falar sobre essas diferenças com honestidade, respeitar limites e encontrar formas de manter a conexão sem transformar o sexo em obrigação. 

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