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"Autoajuda arco-íris não cura ninguém", diz psicólogo sobre vivência queer

Psicólogo Lucas De Vito acolhe dores reais da comunidade LGBTQIA+ sem recorrer a clichês.

Reprodução Instagram
"Autoajuda arco-íris não cura ninguém", diz psicólogo sobre vivência queer
Fabiano Moraes clock 02/08/2025 20:00
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Em um cenário onde frases como “se ame”, “você é suficiente” e “ser LGBTQIA+ é um ato de resistência” são repetidas à exaustão nas redes sociais, o psicólogo Lucas De Vito surge como um ponto de contraste, e de alívio. Com humor ácido, reflexões sinceras e uma escuta que não recorre a clichês, ele se tornou um dos nomes mais relevantes na psicologia voltada à comunidade LGBTQIA . Seu conteúdo viraliza justamente porque não promete soluções fáceis, mas convida a encarar a realidade com mais coragem e menos filtro. 


Lucas, que também é cofundador da Clínica Com Local, especializada em saúde mental para a população LGBTQIA , observa como a positividade performática pode acabar silenciando as dores reais da comunidade. “A autoajuda arco-íris é bonita no feed, mas na vida real, muitas pessoas LGBTQIA estão solitárias, ansiosas, pressionadas a parecer bem o tempo todo. E quando não se sentem assim, se culpam por isso. É uma armadilha”, afirma.


A proposta terapêutica de Lucas é desconfortável, no melhor sentido. Em vez de reforçar mantras de empoderamento ou encorajar afirmações vazias, ele convida seus pacientes (e seguidores) a reconhecerem suas dores sem vergonha, a viverem suas contradições e a tirarem o peso de ter que ser exemplo o tempo todo. “Nem todo dia é um desfile. Às vezes, ser gay é só tentar sobreviver ao trabalho, ao aplicativo e à família que não entende você”, diz.


Essa abordagem mais honesta fez da Clínica Com Local um espaço de acolhimento raro. Com mais de 25 profissionais LGBTQIA e atendendo mais de 800 pacientes, a proposta da clínica é exatamente essa: oferecer escuta de verdade, sem fantasia, sem hierarquia e com pertencimento. Especialmente voltada a pessoas trans e estudantes, a clínica também combate as barreiras financeiras que muitas vezes impedem o acesso à terapia. 


Para Lucas, falar de dor é tão importante quanto falar de orgulho. “A cura começa quando a gente para de fingir que tá tudo bem. Eu não tô aqui pra pintar a vivência gay de rosa. Tô aqui pra ouvir o que ninguém quis ouvir antes, e fazer isso com afeto, ironia e verdade.” E é justamente essa mistura que torna seu trabalho tão necessário, uma psicologia com menos frases prontas e mais espaço para ser quem se é, mesmo nos dias em que isso não cabe em legenda nenhuma.


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