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Por Gabriel Silveira
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A construção civil vive um novo ciclo de expansão no Brasil, com crescimento superior a 3% no PIB do setor em 2024, impulsionado pela retomada de obras de infraestrutura e pelo aquecimento do mercado imobiliário. Esse avanço, no entanto, vem acompanhado de exigências mais rÃgidas que impactam diretamente a operação das empresas.
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As projeções da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) indicam continuidade desse movimento. Para sustentar esse crescimento, empresas precisam adotar práticas mais sólidas de gestão de riscos e adequação ambiental, que deixaram de ser diferenciais e passaram a ser obrigatórias.
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JurÃdico preventivo ganha protagonismo
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Nesse cenário, a atuação jurÃdica preventiva passa a ter papel estratégico na proteção das margens de lucro. Com o setor historicamente entre os lÃderes em litÃgios trabalhistas no paÃs, antecipar riscos deixou de ser opcional e passou a ser essencial para preservar o fluxo de caixa.
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A especialista Jakeline Malvestiti, que atua à frente do jurÃdico da Lar Construções, aponta que o momento exige das empresas uma "blindagem corporativa". "O crescimento acelerado expõe as construtoras a um complexo emaranhado de passivos trabalhistas e regulatórios. A função da governança preventiva é justamente transformar esse arcabouço de normas em processos internos seguros", explica a especialista.
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ESG e pressão por sustentabilidade
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Além das questões regulatórias, a agenda ESG (Environmental, Social and Governance) impõe novos desafios. A construção civil, responsável por parcela relevante das emissões de carbono, enfrenta pressão crescente para adotar práticas mais sustentáveis.
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A viabilidade de novos projetos está cada vez mais ligada ao uso de materiais ecológicos e processos de baixo impacto, fatores que influenciam diretamente na atração de investidores e certificações ambientais como LEED e AQUA.
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Novo perfil profissional e transformação do setor
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A resposta a essa complexidade demanda profissionais com visão multidisciplinar. Malvestiti, por exemplo, avalia que sua atuação, que une formação em Educação Ambiental ao engajamento em fóruns globais sobre o ODS 9 da ONU (Indústria, Inovação e Infraestrutura), já reflete essa nova exigência do mercado corporativo.
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A integração entre jurÃdico, sustentabilidade e estratégia de negócios se tornou um diferencial competitivo nos perfis alinhados à s novas exigências do mercado corporativo. Na prática, a consultoria jurÃdica deixou de ser reativa para se tornar uma ferramenta que desenha estratégias capazes de posicionar as empresas na vanguarda da transição para a economia verde, garantindo que o cumprimento da lei venha acompanhado de inovação.
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Ao integrar direito digital, gestão contratual e normas ambientais, o jurÃdico corporativo assume um papel central na construção de empresas mais seguras, eficientes e preparadas para crescer com consistência em um mercado cada vez mais exigente.