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Uma peça europeia no Brasil custa mais caro do que na Alemanha, e a razão é a taxa de câmbio Euro-real, o custo do transporte marÃtimo pelo Atlântico, tarifas alfandegárias de 10% a 35%, impostos IPI e ICMS, além de atrasos nos portos durante perÃodos como o carnaval e as estações chuvosas.
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Para os proprietários de veÃculos brasileiros neste ano, isso significa que o preço é formado por várias camadas. O fortalecimento do euro aumenta automaticamente o custo da importação, mesmo que o preço na Europa não tenha mudado.Â
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A logÃstica marÃtima ainda adiciona frete e seguro e a alfândega brasileira aplica impostos em vários nÃveis. Além disso, os picos sazonais, como a Black Friday e as estações chuvosas, criam atrasos que aumentam os custos operacionais dos fornecedores.
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A moeda afeta a margem de compra do comprador
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A maioria das peças é produzida na Europa, sendo assim, o custo de matérias-primas, produção e salários são em euros. Quando o real enfraquece, o comprador brasileiro automaticamente paga mais pela mesma peça. Isso é especialmente notável em marcas premium e componentes OEM.
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LogÃstica e armadilhas sazonais
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De acordo com dados da DHL eCommerce (2025), a entrega entre paÃses europeus leva de 1 a 9 dias sem contar a alfândega. Para o Brasil, os prazos dobram ou triplicam.Â
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Dentre os fatores de atraso nas entregas no Brasil estão o carnaval (fevereiro-março), a Black Friday e as festas de fim de ano, que sobrecarregam toda a cadeia logÃstica de armazéns lotados, e a prioridade é dada a produtos de massa. As estações chuvosas (de dezembro a março no sudeste) também inundam estradas e atrasam a "última milha". Os portos de Santos e Rio enfrentam regularmente congestionamento de contêineres.
Quando um contêiner é atrasado, os custos de armazenamento aumentam e é necessário buscar rotas alternativas. Esses custos são incluÃdos no preço.
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A plataforma europeia AUTODOC inaugurou em 2025 um armazém em Ghent (Bélgica) perto dos principais portos para reduzir a volatilidade. Alexandru Lazariuc, Technical Specialist in Auto Parts Selection, explica em post no LinkedIn:Â
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"Quando a cadeia de suprimentos está sob pressão, a proximidade dos portos salva. Uma rede distribuÃda permite enviar peças mais rapidamente do centro mais próximo e controlar melhor os picos sazonais." Mas ele reconhece: "Os prazos de entrega não são uniformes, a qualidade dos serviços de courier varia. A 'última milha' depende de transportadoras locais."
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As tarifas alfandegárias se somam em efeito cumulativo
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Segundo o Trade.gov, o imposto de importação no Brasil varia de 10% a 35%, dependendo da classificação da mercadoria pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Mais o imposto federal IPI (0 a 15%) e o imposto estadual ICMS (7 a 25%, em São Paulo 7 a 18%). Os impostos são calculados cumulativamente: o IPI é cobrado sobre o CIF mais a tarifa, o ICMS sobre tudo isso mais o IPI.
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Com exceção a categoria preferencial: a Solução de Consulta nº 3 de fevereiro de 2024 confirmou que peças não produzidas no Brasil e classificadas como bens de capital ou equipamentos de TI podem ser importadas com alÃquota de 2%, mesmo para o mercado aftermarket.Â
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Isso é regulamentado pela resolução GECEX nº 284 de dezembro de 2021. Segundo o escritório de advocacia Tozzini Freire, a decisão eliminou a incerteza: agora está claro que o benefÃcio se aplica não apenas à produção de carros novos, mas também ao reparo.
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O que os proprietários de veÃculos podem fazer
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Uma peça percorre o seguinte caminho: fábrica na Europa, armazém europeu, contêiner marÃtimo, alfândega brasileira, serviço de courier local. Cada etapa adiciona um custo, sejam as taxas de câmbio, tarifas ou atrasos sazonais, e tudo isso explica a diferença de preço entre a Alemanha e o Brasil.
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Dicas práticas para compradores em 2026 é evitar pedidos em perÃodos de pico (carnaval, Black Friday, dezembro-janeiro). Verificar se a classificação da peça se enquadra na categoria preferencial com tarifa de 2% e considerar a taxa de câmbio euro-real ao planejar grandes compras.
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O aumento dos preços das autopeças europeias no Brasil em 2026 é determinado pela taxa de câmbio euro-real, pelo custo do transporte marÃtimo pelo Atlântico, por tarifas em vários nÃveis (de 2% a 35% mais IPI e ICMS) e por atrasos logÃsticos em picos sazonais. Compreender esses fatores ajuda a planejar compras levando em conta os mecanismos reais de precificação.
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Fontes de informação: Artigo baseado em dados da DHL eCommerce (2025), Trade.gov, Privacy Shield, Tozzini Freire, Solução de Consulta nº 3 da Receita Federal (fevereiro 2024), Resolução GECEX nº 284 (dezembro 2021), AUTODOC, Alexandru Lazariuc (LinkedIn) e Laws of Brazil.Â