Belo Horizonte ocupa um lugar especial na trajetória do Medulla. Foi na cidade, durante um show no Matriz, em 2014, que um encontro inesperado entre Raony e um fã ajudou a inspirar 'Abraço', um dos refrões mais importantes da carreira da dupla. Agora, com o lançamento de No Dia Que Tudo Mudou, os irmãos Keops e Raony retomam essa conexão com Minas Gerais em uma fase que também apresenta novas possibilidades para o palco.
Em entrevista ao Portal Uai, o Medulla fala sobre a transformação do repertório e do formato dos shows, a cenografia criada para acompanhar a narrativa do novo álbum e a relação entre os dois irmãos no palco. A dupla também conta como foram as audições imersivas realizadas antes do lançamento, cita artistas mineiros que despertam sua atenção e revela o desejo de levar para Minas Gerais as participações e experiências que marcaram essa nova etapa.
Existe alguma relação especial de vocês com Minas Gerais ou com a cena musical mineira que tenha influenciado a trajetória da dupla?
Em BH nasceu a inspiração do refrão mais importante da carreira do Medulla. Nós estávamos tocando no Matriz, em 2014. O show estava em uma energia muito especial e, no meio da apresentação, o Raony, cantando, esticou a mão. Um fã que estava ali segurou a mão dele, naqueles momentos que a gente pode ter em um pub.
Em determinado momento, o mano começou a apertar a mão do Raony cada vez mais forte, a ponto de ele se questionar se o cara estava querendo machucar ou se estava apenas sentindo a vibe.
O álbum nasceu muito ligado à ideia de movimento e mudança.
É tudo muito novo. Muita coisa mudou em relação ao que a gente apresentava como Medulla, tanto na sonoridade quanto na respiração da narrativa e também no formato do show.
Vocês apostam em cenografia neste show, certo?
A parte central desse novo show é ter só a dupla no palco, em uma plataforma central, que pode mudar de formato de teatro para teatro. De um lado, Keops, voz e violão, às vezes guitarra; do outro, Raony, voz e percussão, tocando sob o beat. Em alguns momentos, é voz e beat. Para essas músicas, escolhemos tirar a centralidade do palco e fazer a música inteira com outra iluminação, para direcionar os olhos do público para um dos lados do palco e guiar essa experiência de corpo também.
O público vai ouvir versões ao vivo de músicas que foram escritas em diferentes períodos da vida de vocês.
Não sei se mudam de significado, mas acho que ganham outras perspectivas cada vez que são cantadas ou que a gente vê como essas canções atravessam a vida das pessoas.
Como vocês trabalham a dinâmica de serem dois irmãos, dois corpos e, ao mesmo tempo, uma única identidade artística no palco?
Somos um eco, uma extensão, harmonia e ritmo e, às vezes, representamos um personagem só, como a mente consciente e o subconsciente.
As participações do álbum criam diferentes possibilidades de encontros.
Sempre que tiver oportunidade. Recentemente, conseguimos reunir todes em São Paulo para o show de lançamento na Casa Natura.
A experiência das audições presenciais mostrou que vocês gostam de criar situações para que o público escute música de maneira diferente.
Nós vivenciamos as músicas em experiências imersivas, e foi muito massa ver as pessoas da comunidade em ambientes que se aproximam mais. As audições aconteceram na lavanderia Soap Club, onde lavamos roupa, ouvimos as músicas, trocamos ideia e bebemos vinho; em uma corrida no Minhocão, depois ouvimos as músicas e trocamos ideia no escritório da marca de roupas de corrida Bad Running, de frente para o Minhocão, em um fim de tarde lindão; também tivemos uma experiência de cenografia, em que montamos um jardim cenográfico em uma sala da Casa Cósmica, em São Paulo, e o público montou o cenário enquanto ouvíamos as músicas imersos nesse ambiente que construímos juntes.
Vivenciar essas músicas em horários e ambientes que não estamos acostumados a consumir música em comunhão trouxe uma sensação de presença. Foi incrível ver a reação das pessoas assim, olho no olho, e poder trocar com os primeiros ouvintes antes mesmo de as músicas irem ao ar nas plataformas.
Belo Horizonte tem uma cena alternativa muito forte.
A gente tem alguns amigos e somos apaixonados pela música mineira alternativa.
Confira: