Muita gente faz isso sem perceber. Em uma reunião de trabalho, diante de uma prova, enquanto assiste a uma série ou até em momentos de tédio, as mãos vão automaticamente à boca. Embora seja frequentemente tratado como uma simples mania, o hábito de roer as unhas desperta curiosidade nas buscas na internet e intriga especialistas há décadas. Afinal, o comportamento pode revelar algo sobre a personalidade?

 

Conhecida na medicina como onicofagia, a prática é bastante comum e costuma surgir ainda na infância, podendo acompanhar a pessoa por toda a vida adulta. Ao contrário do que se imaginava no passado, não existe uma única explicação para o comportamento. Ansiedade, estresse, tédio, insegurança e até a necessidade de aliviar tensões do dia a dia estão entre os fatores mais associados ao hábito.




 

Nos últimos anos, pesquisas em psicologia e neurociência passaram a investigar uma possível relação entre a onicofagia e alguns traços de personalidade. Estudos e especialistas apontam que pessoas mais perfeccionistas, impacientes ou com maior dificuldade em lidar com emoções negativas podem ser mais propensas a desenvolver comportamentos repetitivos focados no corpo, grupo que inclui roer as unhas, arrancar fios de cabelo e cutucar a pele.

 

Isso, no entanto, não significa que quem rói as unhas tenha necessariamente um transtorno psicológico. A Associação Americana de Psiquiatria inclui a onicofagia entre os comportamentos relacionados ao espectro obsessivo-compulsivo, mas especialistas destacam que o hábito nem sempre está ligado ao TOC e pode aparecer em pessoas sem qualquer diagnóstico psiquiátrico.

 

Uma curiosidade que ajuda a explicar por que é tão difícil abandonar o costume está no cérebro. Pesquisas recentes mostram que a onicofagia faz parte dos chamados comportamentos repetitivos focados no corpo. Em muitas situações, roer as unhas produz uma sensação imediata de alívio, fazendo com que o cérebro associe o gesto a uma espécie de recompensa emocional. Com o tempo, o mecanismo se torna automático, e muitas pessoas sequer percebem quando estão repetindo o movimento.




 

Apesar de parecer inofensivo, o costume vai além da questão estética. As unhas funcionam como uma barreira natural de proteção, e as pequenas lesões provocadas pelas mordidas favorecem a entrada de bactérias, vírus e fungos. Além disso, a prática pode causar inflamações ao redor dos dedos, alterações no crescimento das unhas e até problemas dentários, como desgaste do esmalte e mudanças na mordida.

 

Especialistas ressaltam que a chave para controlar a onicofagia não está em força de vontade ou punições, mas em identificar os gatilhos por trás do comportamento. Em muitos casos, cuidar da ansiedade, reduzir o estresse e substituir o hábito por outras estratégias são medidas que ajudam a interromper esse ciclo. Afinal, aquilo que parece apenas um vício antigo pode ser, na verdade, uma forma silenciosa que o corpo encontrou para lidar com as emoções. 

 

Tags:
compartilhe