A apresentadora Eliana revelou ter vivido um relacionamento abusivo marcado por ciúmes excessivos, controle e promessas de mudança que não se concretizavam. Durante o programa "Saia Justa", do GNT, ela relembrou o período difícil e alertou para comportamentos que podem ser confundidos com demonstrações de amor.
"Eu vivi um relacionamento muito abusivo nesse lugar do ciúme por um tempo na minha vida", contou. A artista também reconheceu que deixou de ouvir alertas de pessoas próximas, levantando uma questão importante: além do sofrimento psicológico, conviver com medo e insegurança pode afetar o funcionamento do organismo?
Segundo a psiquiatra Jessica Martani, situações prolongadas de tensão podem manter o cérebro em estado de alerta, desencadeando respostas físicas como insônia, palpitações, dores de cabeça, tensão muscular e problemas digestivos. "Uma pessoa que vive constantemente preocupada com a reação do parceiro pode desenvolver um estado de hipervigilância. O cérebro passa a antecipar conflitos e o corpo responde como se precisasse estar preparado para uma ameaça", comentou.
Ela acrescentou: "Com o tempo, essa sobrecarga pode afetar o sono, a concentração, a disposição e até a percepção da dor. O sofrimento emocional não fica restrito à mente, ele também pode aparecer por meio de sintomas físicos", explicou.
O estresse persistente também pode interferir na regulação hormonal. O endocrinologista Bruno Cardoso, especialista titulado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), explica que a exposição frequente a situações estressantes pode afetar o sono, o apetite e o metabolismo.
"O cortisol é um hormônio essencial para o funcionamento do organismo, mas a exposição contínua a situações estressantes pode desorganizar os mecanismos que regulam sua produção e sua ação. Algumas pessoas passam a apresentar alterações de apetite, dificuldades para dormir, fadiga e mudanças no peso", enumerou.
O médico ressalta que não existe uma resposta hormonal igual para todos: "É importante compreender que não existe uma resposta hormonal única para o estresse crônico, e que esses sintomas precisam ser avaliados individualmente", observou ele.
A saúde da pele e a percepção da dor também podem sofrer influência do estresse. Na endometriose, doença que pode provocar cólicas intensas e dor pélvica, estudos identificam associações com ansiedade, depressão e pior qualidade de vida, mas não apontam as emoções como causa da condição.
O especialista Marcos Travessa explica: "Os estudos mostram uma associação importante entre endometriose e sofrimento psicológico, especialmente ansiedade, depressão e estresse. Essa relação pode funcionar nos dois sentidos: a dor crônica compromete a saúde emocional, enquanto o estresse pode intensificar a percepção dolorosa e dificultar o enfrentamento dos sintomas. A endometriose é uma doença orgânica, não uma consequência das emoções, mas o cuidado com a saúde mental precisa fazer parte de uma abordagem integral."
Já a dermatologista Tatyana Braga, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), destaca que o estresse pode agravar quadros como acne, dermatite atópica e psoríase, além de estar associado a alguns episódios de queda capilar. "A pele e o sistema nervoso mantêm uma comunicação constante. Em períodos de estresse intenso, algumas pessoas percebem piora de doenças inflamatórias, aumento da sensibilidade cutânea e alterações nos cabelos. Isso não significa que todo problema dermatológico tenha origem emocional, mas mostra como a saúde da pele também pode ser influenciada pelo estado geral do organismo", apontou.
O relato de Eliana reforça a importância de identificar sinais de abuso, como vigilância constante, isolamento social, humilhações, ameaças e controle das decisões pessoais. Pedidos de desculpas não significam necessariamente mudança quando as mesmas atitudes continuam se repetindo. Quem enfrenta esse tipo de situação pode buscar apoio de pessoas de confiança e acompanhamento profissional.
Sintomas físicos persistentes também merecem avaliação médica, já que nem toda alteração de saúde tem origem emocional. A recuperação após uma relação abusiva varia de pessoa para pessoa, mas reconhecer o sofrimento e priorizar a segurança são passos fundamentais. A responsabilidade pela violência é sempre de quem a pratica, nunca da vítima.