Padre Fábio de Melo emocionou o público ao falar abertamente sobre sua saúde mental. Convidado do programa Sem Censura, da TV Brasil, na quarta-feira (14), o religioso contou que convive com a depressão crônica e que a tristeza faz parte de sua rotina desde a infância.




 

“Desde que eu me entendo por gente, eu nunca acordei feliz. Eu posso estar no melhor lugar do mundo. Eu não acordo feliz. É meu. É uma sombra que eu levo, e eu acredito que a sombra seja o lado positivo da minha criatividade. É isso que me faz ter a sensibilidade que eu tenho”, declarou durante a conversa com Cissa Guimarães.

 

O sacerdote também explicou que costuma despertar desanimado, mesmo quando termina o dia anterior fazendo planos com entusiasmo. “Eu não sou uma pessoa eufórica, não. Eu acordo triste, eu acordo desanimado. Tudo aquilo que eu decidi à noite, que eu estava super feliz no outro dia, eu amanheço arrependido. Meu Deus, por que eu fui fazer isso?”, relatou.

Padre Fábio de Melo fala sobre tratamento da depressão

Ao abordar o tratamento, o religioso revelou que já utilizou doses maiores de medicamentos. Naquele período, embora aparentasse estar mais animado para as pessoas ao redor, não se reconhecia naquela versão de si mesmo. Com o ajuste da medicação, afirmou ter encontrado um equilíbrio mais compatível com sua realidade.




 

Apesar da tristeza frequente, Fábio ressaltou que mantém uma relação saudável com a vida e encontra prazer em atividades simples, especialmente na leitura. Entre suas referências literárias está o escritor russo Fiódor Dostoiévski.

 

“Embora eu não tenha essa felicidade todo dia, abrindo as portas do meu quarto e inundando de sol e de alegrias a minha vida, eu tenho uma relação muito saudável com a vida. Me dê um livro de Dostoiévski, você esquece que eu existo, não dou trabalho para ninguém. Eu não tenho vícios, eu não me considero uma pessoa chata”, afirmou.

 

O padre também comentou que, por ser exigente consigo mesmo, às vezes prefere ficar sozinho para evitar que suas dificuldades emocionais afetem outras pessoas. Segundo ele, a experiência com a própria saúde mental influencia a maneira como acolhe e aconselha quem procura sua orientação espiritual.

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