Quem acompanhou a televisão brasileira nos anos 2000 provavelmente se lembra de Ludmila Dayer. Aos 43 anos, a atriz, que ganhou projeção como Joana em “Malhação” e depois viveu Danielle em “Senhora do Destino”, está há mais de uma década longe da TV brasileira. Desde 2006, ela vive em Los Angeles, nos Estados Unidos, onde transformou a carreira diante das câmeras em uma atuação mais ampla no audiovisual, incluindo produção, roteiro e direção.
A distância do Brasil, no entanto, não significou o abandono da profissão. Em Los Angeles, Ludmila se tornou sócia da Lupi Productions, produtora que mantém operações nos Estados Unidos e no Brasil. A empresa passou a ocupar parte importante de sua rotina e abriu espaço para que a atriz também trabalhasse nos bastidores, desenvolvendo projetos próprios.
A mudança para os Estados Unidos aconteceu depois de uma viagem de férias, em 2006. Ludmila decidiu permanecer no país e, antes de retomar a relação com os sets, chegou a trabalhar com tradução e venda de óculos de luxo. A experiência acabou servindo como uma espécie de recomeço profissional. Desde então, ela passou a conciliar diferentes funções dentro da indústria cinematográfica.
“Eu acredito que toda pessoa tem diferentes dons, e eu exploro os meus. Gosto de atuar e de criar, mas também adoro a parte burocrática, dos números e dos processos. Por isso, criei a minha empresa, a Lupi Productions, que produz e capta recursos”, contou ao Gshow.
Por onde anda Ludmila Dayer, que trocou a TV pelos bastidores do cinema? (Foto: Reprodução Instagram)
Longe da TV, mas perto do cinema
O último trabalho de Ludmila na televisão brasileira foi em 2013, na série “Louco por Elas”, da Globo. Ela interpretou Cibele, uma vendedora de pamonha, em um dos episódios. Desde então, não voltou a integrar o elenco fixo de uma novela ou série no país.
A atriz, porém, sempre fez questão de ressaltar que não havia abandonado a atuação. Em 2017, durante a reprise de “Senhora do Destino”, ela contou ao jornal O GLOBO que continuava trabalhando no cinema enquanto construía sua vida profissional nos Estados Unidos.
“Eu nunca deixei de atuar. Fiz filmes depois dessa novela. Mas há 11 anos moro em Los Angeles e aqui tenho minha produtora, que toma bastante tempo. Amo ser atriz e também produzir e criar”, afirmou na ocasião.
Nos últimos anos, Ludmila também passou a explorar a direção. Em 2023, lançou o documentário “Eu”, projeto voltado para questões de saúde mental e autoconhecimento. A produção, disponível no Globoplay, marcou uma mudança de perspectiva: desta vez, ela não estava apenas diante das câmeras, mas também no comando da narrativa.
De “Carlota Joaquina” a “Malhação”
Antes de se tornar conhecida na televisão, Ludmila começou a carreira ainda criança. Aos 10 anos, estreou no cinema em “Carlota Joaquina, Princesa do Brazil”, dirigido por Carla Camurati. No filme, interpretou Carlota Joaquina na infância e também uma personagem inglesa responsável pela narração da história.
O longa, lançado em 1995, tornou-se um dos símbolos da retomada do cinema brasileiro. A oportunidade surgiu depois que uma produtora viu Ludmila dançando em uma escola no Rio. Para o trabalho, ela precisou aprender inglês e espanhol.
Três décadas depois, o filme voltou aos cinemas em uma versão remasterizada em 4K, em 2025. O relançamento levou a atriz novamente aos holofotes brasileiros e despertou a curiosidade do público sobre sua vida longe da televisão.
Na Globo, o reconhecimento veio alguns anos depois. Em 2000, Ludmila assumiu o papel de Joana em “Malhação”, personagem que a aproximou do público jovem e consolidou seu nome na televisão. Em seguida, integrou o elenco de “Senhora do Destino”, de 2004, como Danielle, personagem ligada a Giovanni Improtta, vivido por José Wilker.
A reprise da novela, anos mais tarde, também trouxe de volta lembranças da personagem. “Tenho muito carinho por essa personagem. Marcou minha vida positivamente e para sempre”, disse Ludmila em 2017.
Uma possível volta à atuação
Embora tenha construído uma carreira mais diversificada nos Estados Unidos, Ludmila não fechou as portas para a atuação. Ao longo dos anos, afirmou que continuava interessada em projetos que fizessem sentido para sua vida profissional e pessoal.
Em 2025, durante a divulgação da nova versão de “Carlota Joaquina”, a atriz se mostrou mais aberta à possibilidade de voltar a atuar. A mudança de postura chamou atenção porque, em anos anteriores, ela havia recusado convites para retornar ao Brasil.
Por enquanto, não há um novo trabalho de televisão confirmado. O que mudou foi a disposição de Ludmila para voltar a ocupar o lugar que a tornou conhecida — desta vez, depois de quase duas décadas construindo uma trajetória que vai muito além da atuação.