Longe dos holofotes e do ritmo intenso da televisão, Lúcia Veríssimo encontrou na natureza uma nova forma de viver. Uma das musas da televisão brasileira nos anos 1980 e 1990, a atriz transformou a Fazenda Independência, em Chiador, na Zona da Mata de Minas Gerais, em sua residência fixa durante a pandemia de Covid-19.
Na propriedade, Lúcia mantém uma rotina voltada à preservação ambiental, produção de alimentos e proteção dos animais. Vegetariana, ela determinou que nenhum animal criado na fazenda tenha como destino o abate.
Animais vivem até a morte natural
Vacas, cavalos, cabras e aves permanecem na propriedade durante toda a vida. Quando deixam de produzir leite ou ovos, os animais também não são vendidos. Eles são encaminhados para áreas que a atriz chama de “asilos”, onde recebem alimentação, cuidados veterinários e abrigo.
As vacas leiteiras, inclusive, recebem nomes próprios. Já aves como pavões, cisnes, patos e galinhas-d'angola circulam livremente pela fazenda.
Um estatuto interno da propriedade também estabelece que os animais não podem ser mantidos em gaiolas, viveiros ou acorrentados.
Sobre a maneira como os animais são tratados, Lúcia é direta:
“Plantamos comida. Nas minhas terras não crio animais de engorda. Lá os animais morrem de velhos. Como não como carne, se tenho algum convidado que queira carne de frango, mando comprar na casa do vizinho. Não é brincadeira, é a mais pura verdade”, diz ela em seu site.
Fazenda tem área preservada de Mata Atlântica
A preocupação ambiental também faz parte da rotina da atriz. Quase metade da Fazenda Independência é composta por Mata Atlântica preservada, além de cinco açudes e nascentes protegidas por vegetação nativa.
Lúcia também cultiva alimentos na propriedade sem o uso de defensivos químicos. Entre os produtos produzidos no local estão milho, feijão, abóbora, hortaliças e diferentes tipos de frutas.
A área preservada também serve como fonte de mudas utilizadas em projetos de reflorestamento conduzidos pela atriz ao longo dos anos.
Incêndio destruiu 30 hectares da propriedade
Em 2024, a fazenda foi atingida por um incêndio que destruiu aproximadamente 30 hectares de vegetação. Na época, Lúcia afirmou que o fogo teria começado depois da entrada de caçadores ilegais no terreno e do descarte de uma bituca de cigarro.
O incêndio provocou preocupação especialmente pela possibilidade de as chamas alcançarem a área de Mata Atlântica preservada.
“Tenho 4,5 alqueires de Mata Atlântica virgem e tiro dela todas as mudas para reflorestamento que venho fazendo há anos e que foi inteiramente queimado. Meu desespero, durante o incêndio, foi justamente que não fosse atingida a mata. Era o que eu suplicava aos bombeiros: que tomassem conta dela”, afirmou a atriz à época.
Apesar da destruição, a maior parte da mata conseguiu ser preservada.
“Somente uma pequena área dela foi atingida. Mas graças a Deus, a todos os santos e, principalmente, à coragem e técnica dos bombeiros, a mata foi preservada.”