Thaila Ayala está vivendo uma fase de transformação aos 40 anos. Além de retornar à atuação em um novo formato, a atriz decidiu colocar no papel experiências pessoais que marcaram sua trajetória. O incentivo para transformar as próprias dores em histórias veio durante as sessões de análise.
Thaila Ayala encontrou na escrita uma forma de se expressar
Segundo a artista, foi sua analista quem sugeriu que ela começasse a escrever sobre o que viveu. A prática acabou se tornando uma maneira de elaborar traumas e sentimentos que ainda não haviam sido completamente ressignificados.
“Desde sempre escrevo histórias, assim como meu filho, que começou a escrever aos 4 anos. Demorei muito tempo para entender que precisava contar o que vivi. Minha analista recomendou que eu escrevesse e, para mim, é realmente um processo terapêutico. Estou feliz e empolgada de estar fazendo isso”, reflete em entrevista à Marie Claire.
A mudança também se reflete na carreira. Thaila se prepara para atuar como diretora e roteirista, enquanto encara um novo desafio como atriz na novela vertical Nas Profundezas do Amor. Na produção, ela interpreta Zara, uma antagonista que já se tornou marcante em sua trajetória.
Atriz enfrentou rotina intensa para viver vilã
O trabalho exigiu bastante da atriz. Thaila gravou toda a trama em apenas dez dias, um ritmo bem diferente das novelas tradicionais, que costumam levar meses para serem produzidas.
A intensidade das gravações chegou a afetar sua voz. Mesmo tomando cuidados e realizando exercícios para preservar o físico, ela terminou o trabalho sem conseguir falar normalmente.
“Era pesado sair de lá. Falava: ‘Graças a Deus, são só 10 dias’”, entrega.
Apesar do desgaste, a experiência também representa uma oportunidade para Thaila experimentar uma nova linguagem e ampliar sua atuação profissional.
Thaila Ayala transforma história da mãe em filme
Aos 40 anos, a atriz ainda se prepara para dar outro passo atrás das câmeras. Ela está captando recursos para Tudo em Ordem, curta-metragem que escreveu e dirigiu.
A produção é inspirada na trajetória de sua mãe, uma empregada doméstica que enfrentou diferentes formas de abuso ao longo da vida. O filme nasceu depois de mais de duas décadas de análise e de um processo profundo de autoconhecimento vivido pela atriz.
Thaila conta que, durante muito tempo, teve sentimentos conflitantes em relação às escolhas da mãe. Com o passar dos anos, porém, passou a enxergar a própria história familiar de outra maneira:
"Teve momentos que questionei e não entendi as escolhas dela. Já senti raiva, ranço e pena nas minhas sessões de análise. Mas a virada de chave veio quando consegui enxergar que as coisas que mais odiava em mim eram reflexos dela e quando me tornei mãe e consegui enxergá-la para além da maternidade e das escolhas que ela fez. Nunca tinha conseguido ver a minha mãe como mulher, mas ela é mulher antes de ser mãe. Como filha, não achei legal as escolhas que fez, mas talvez eu tivesse feito as mesmas, no lugar dela, porque ela não tinha tantas possibilidades. Mas pensar isso não apaga a falta dela na minha história e na minha vivência. Ela foi mãe com 17 anos. Um dia, liguei e pedi que me perdoasse por tê-la julgado e agradeci por tudo que fez por nós, criando sozinha, sem casa, base ou dinheiro, três mulheres fortes, fodas e de caráter. Mas que bom que consegui fazer isso em vida, porque quantas pessoas não conseguem?".