A preparação de Lorena Comparato para viver Elize Matsunaga no filme "Elize: Sombras de Uma Mulher", da Netflix, incluiu um trabalho terapêutico e o acompanhamento de especialistas. A atriz revelou que buscou compreender a trajetória da personagem sem perder a separação entre sua vida pessoal e a ficção durante a construção do papel.




 

Em entrevista à revista Quem, Lorena explicou que realizou dois processos distintos de terapia: um voltado ao próprio bem-estar e outro dedicado exclusivamente ao desenvolvimento da personagem. Ela também contou que conversou com a psiquiatra Cecília Gross para aprofundar a compreensão sobre a história de Elize.

 

“Durante todos esses anos de carreira, separei muito os personagens de mim. Ao mesmo tempo, empresto muito de mim para as minhas personagens e aprendo com elas. Mas a separação para mim é muito saudável. Fiz um processo de terapia para mim [...] e outro para a Elize”, afirmou.

 

Segundo a atriz, um dos principais objetivos da preparação era apresentar ao público a trajetória de Elize antes do assassinato do empresário Marcos Matsunaga, ocorrido em 2012. “Era muito importante para mim mostrar de onde ela veio, sua família, essas relações com essas pessoas...”, explicou.




 

Lorena destacou que a personagem enfrentou diferentes situações de violência ao longo da vida, incluindo abusos na adolescência, a saída precoce da casa da família sem apoio e um período em que trabalhou com prostituição. Para a atriz, compreender esse contexto foi essencial para interpretar a personagem, embora o filme não tenha a intenção de justificar o crime.

 

“Eu prefiro contar essa história e deixar que o público decida o que acha. A gente conta essa história de um lugar de muito respeito. É um crime bárbaro”, declarou.

 

A artista também demonstrou preocupação com a forma como parte dos internautas passou a retratar Elize Matsunaga nas redes sociais. Ao comentar memes relacionados ao caso, Lorena afirmou considerar perigosa a admiração direcionada à condenada.




 

“Eu acho muito perigoso que as pessoas sejam fãs de uma assassina. É muito complexo”, disse.

 

Ao concluir a entrevista, a atriz reforçou que não enxerga a violência como solução para qualquer conflito e afirmou que essa mensagem também norteou sua interpretação da personagem.

 

“Acho importante dizer que, para mim, a violência nunca é a solução. É complexo achar que a violência vai solucionar um problema tão violento contra a mulher”, concluiu. 

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