A revelação feita por Lito Sousa acendeu um alerta para uma das doenças que mais afetam a população masculina no Brasil. Aos 59 anos, o influenciador digital e especialista em aviação contou ter sido diagnosticado com câncer de próstata mesmo mantendo acompanhamento médico periódico e realizando exames preventivos regularmente.
A descoberta aconteceu depois que alterações no exame de PSA levaram os médicos a aprofundarem a investigação. Os exames confirmaram um adenocarcinoma de agressividade intermediária. Como o tumor permanece restrito à próstata, a conduta escolhida pela equipe médica foi a realização de uma cirurgia.
Ao compartilhar o diagnóstico nas redes sociais, Lito destacou que sempre adotou uma rotina de prevenção, incluindo o exame de toque retal, mas explicou que as avaliações anteriores não haviam apontado a existência do tumor.
"Eu sempre me cuidei e faço exames de rotina, inclusive aquele que muitos homens se negam a fazer. E, mesmo fazendo check-up de rotina, não foi possível identificar antes o que eu descobri recentemente", afirmou.
O caso reforça uma das principais características do câncer de próstata: nos estágios iniciais, a doença costuma evoluir de forma silenciosa. Na maioria das vezes, não há sintomas, e o diagnóstico acaba ocorrendo apenas após alterações discretas em exames de rotina ou durante investigações complementares.
Quando surgem, os primeiros sinais normalmente incluem dificuldade para iniciar a micção, jato urinário enfraquecido, aumento da frequência para urinar — principalmente durante a noite — e sensação de que a bexiga não foi completamente esvaziada.
Com a progressão da doença, os sintomas podem se tornar mais intensos. Entre eles estão sangue na urina ou no sêmen, dor ou desconforto ao urinar ou ejacular e, em alguns casos, dificuldade para manter a ereção.
Nos quadros mais avançados, quando o câncer já atingiu outros órgãos, podem aparecer dores persistentes nos ossos, especialmente na coluna, nos quadris e nas costelas, além de perda de peso sem explicação, cansaço intenso, fraqueza, inchaço nas pernas, incontinência urinária e até dificuldade para caminhar ou ocorrência de fraturas ósseas.
Especialistas ressaltam, porém, que esses sintomas também podem estar relacionados a outras doenças da próstata e não representam, isoladamente, um diagnóstico de câncer.
Apesar de ser uma doença com elevadas chances de cura quando descoberta precocemente, o câncer de próstata continua entre os maiores desafios da saúde pública brasileira. Levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) mostra que 17.587 homens morreram em decorrência da enfermidade em 2024, o equivalente a uma média de 48 mortes por dia. Em dez anos, a mortalidade aumentou 21%.
Quando o tumor é identificado antes de se disseminar para outros órgãos, a taxa de cura supera 90%. Desconsiderando o câncer de pele não melanoma, trata-se do tipo de câncer mais frequente entre os homens brasileiros.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 71,7 mil novos casos da doença por ano no país. Embora a maior parte dos diagnósticos ainda ocorra após os 50 anos, especialistas observam um crescimento dos registros entre pacientes mais jovens.
Dados do Ministério da Saúde indicam que os atendimentos relacionados ao câncer de próstata em homens com até 49 anos aumentaram 32% entre 2020 e 2024. Nesse intervalo, os procedimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) passaram de 2,5 mil para 3,3 mil.
Na avaliação do urologista Rafael Ambar, do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), parte desse avanço decorre da ampliação do acesso aos exames diagnósticos. O diretor-geral do INCA, Roberto Gil, também relaciona o aumento dos casos registrados ao envelhecimento da população e à maior oferta de métodos de detecção da doença.