A influenciadora e criadora de conteúdo adulto Cris Galera, 38, teve o aluguel de um imóvel negado em Londres após a imobiliária citar sua atividade profissional durante a análise da candidatura. Agora, além de seguir em busca de uma nova moradia, a brasileira tenta reaver as 2.500 libras (cerca de R$ 18 mil) pagas como depósito caução.
Morando na capital britânica, Cris afirma que apresentou comprovantes de renda, referências e toda a documentação exigida para a locação. Segundo ela, o processo transcorria normalmente até que a imobiliária informou, por escrito, que sua produção de conteúdo adulto representava uma preocupação para o proprietário, o que resultou na negativa do contrato.
“Foi muito frustrante. Eu tinha renda comprovada, referências e cumpria todas as exigências. Mesmo assim, meu trabalho foi colocado como um problema, e o aluguel acabou sendo recusado”, afirma.
Segundo Cris, além da profissão, sua presença nas redes sociais também parece ter influenciado a forma como foi avaliada. Ela conta que, em alguns momentos, percebeu uma mudança de postura após a análise de seu perfil online, onde publica fotos de biquíni e conteúdos relacionados ao seu trabalho.
“Tenho a sensação de que, quando pesquisavam meu nome e encontravam minhas redes sociais, deixava de importar que eu tinha condições de pagar o aluguel. Era como se a minha imagem falasse mais alto do que toda a documentação que eu apresentei”, diz.
A influenciadora afirma que a situação evidencia um preconceito enfrentado por profissionais que trabalham com plataformas de conteúdo adulto, mesmo quando cumprem todos os requisitos financeiros exigidos pelo mercado imobiliário.
“Meu trabalho é legalizado, pago impostos e consigo comprovar minha renda como qualquer outro profissional. O que aconteceu comigo mostra que ainda existe um estigma muito grande contra quem trabalha com conteúdo adulto”, declara.
Além da recusa, Cris afirma que enfrenta dificuldades para recuperar as 2.500 libras pagas como depósito caução durante o processo de locação. Segundo ela, o valor ainda não foi devolvido, apesar da negativa do contrato, e o caso segue em discussão.
Enquanto busca uma solução para reaver o dinheiro, a brasileira continua procurando um imóvel para alugar em Londres. Ela espera que sua experiência ajude a ampliar o debate sobre o preconceito enfrentado por profissionais cuja atividade é frequentemente julgada antes mesmo da análise de critérios objetivos, como renda, referências e histórico financeiro.
“Não quero tratamento especial. Só gostaria de ser avaliada pelos mesmos critérios que qualquer outra pessoa. Se tenho renda, referências e consigo cumprir o contrato, isso deveria ser o suficiente”, conclui.