Craque em campo, colecionador fora dele. Aos 25 anos, o norueguês Erling Haaland já é sinônimo de gols pelo Manchester City e pela seleção da Noruega, mas quem acompanha só as estatísticas do atacante está perdendo boa parte da história.
Longe dos gramados, ele cultiva interesses que destoam do imaginário comum sobre astros do futebol: amor pelos livros, entusiasta do xadrez, ex-integrante de um grupo de rap e colecionador de bolsas de grife.
Amor pela leitura
Poucos suspeitariam, mas uma das maiores paixões de Haaland são os livros antigos. A prova veio em dezembro, quando ele e o pai desembolsaram 1,3 milhão de coroas norueguesas — o equivalente a cerca de R$ 686 mil — para arrematar um exemplar raríssimo do século 16, valor que bateu recorde em leilões de livros no país escandinavo.
O item em questão é uma impressão de 1594 de uma obra escrita originalmente pelo historiador medieval Snorri Sturluson, no século 13, reunindo relatos sobre reis, rainhas, camponeses e guerreiros vikings. Depois da compra, Haaland doou a relíquia para a região onde foi criado.
O gesto não parou por aí: o jogador também patrocina uma competição de leitura voltada a estudantes locais, incentivando o hábito entre os mais jovens. Ao explicar o motivo por trás da iniciativa à imprensa norueguesa, ele resumiu assim: "Os livros dão a muito mais pessoas a oportunidade de sonhar alto, enxergar novas possibilidades e encontrar seu próprio caminho."
Investidor de tabuleiro
O interesse de Haaland pelo xadrez saiu do campo das curiosidades pessoais e virou negócio em março deste ano, quando ele passou a investir no Total Chess World Championship Tour, um circuito internacional da modalidade. Segundo ele, a aposta financeira reflete o desejo de tornar o jogo mais popular e atrativo para o grande público.
Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o atacante traçou paralelos entre as duas atividades que domina: "O xadrez é um jogo incrível. Ele aguça a mente e tem claras semelhanças com o futebol. Você precisa pensar rápido, confiar nos seus instintos e antecipar vários lances."
Do microfone às quatro linhas
Antes da fama internacional, Haaland já havia experimentado os holofotes de outra forma. Em 2016, ainda adolescente, ele dividiu um videoclipe com dois colegas da seleção norueguesa de base, Erik Botheim e Erik Tobias Sandberg. Juntos, formaram o trio Flow Kingz e gravaram a faixa "Kygo jo", uma referência bem-humorada ao DJ norueguês Kygo.
As cenas mostram os três dançando com toda a desenvoltura — e um pouco de exagero — típica da juventude. Anos depois, com Haaland transformado em um dos maiores nomes do futebol mundial, o vídeo voltou a circular e hoje soma milhões de visualizações.
Grifes de luxo na bagagem
Completando o perfil fora dos gramados, o atacante mantém uma coleção invejável de malas, bolsas de viagem e itens de bagagem de mão assinados por marcas como Hermès, Chanel e Louis Vuitton. Como parte considerável dessas peças já saiu de linha e só é encontrada no mercado de revenda, estimar o valor total do acervo é tarefa complicada — mas cálculos apontam para uma soma que facilmente chega aos cinco dígitos.