A decisão da Globo de produzir o remake de Pantanal exigiu um investimento milionário antes mesmo das gravações começarem. Para obter os direitos da obra, a emissora precisou pagar cerca de R$ 5 milhões a Benedito Ruy Barbosa, criador da trama, após uma longa negociação marcada por antigas mágoas entre o novelista e a empresa.
A informação foi revelada pela revista Veja em 2022 e voltou a chamar atenção após a morte do autor, aos 95 anos.
Globo rejeitou Pantanal nos anos 1980
A relação entre Benedito Ruy Barbosa e a Globo foi marcada por um episódio que mudou a história da teledramaturgia brasileira. No fim da década de 1980, o escritor apresentou o projeto de Pantanal à emissora, mas a novela acabou sendo recusada.
Inconformado com a decisão, Benedito levou a história para a extinta TV Manchete, onde o folhetim estreou em 1990 e se transformou em um fenômeno de audiência. A produção conquistou o público com a história de José Leôncio, Jove e da inesquecível Juma Marruá, tornando-se um dos maiores sucessos da televisão brasileira.
Negociação para o remake durou meses
Décadas depois, já com a TV Manchete extinta e diante da necessidade de renovar o interesse do público pelas novelas, a Globo decidiu apostar em um remake de Pantanal.
Antes, porém, foi preciso recuperar a confiança de Benedito Ruy Barbosa. O autor havia retomado judicialmente os direitos da obra em 2016 e sonhava, finalmente, em ver sua criação exibida pela emissora que um dia a recusou.
Segundo a reportagem da Veja, as conversas se estenderam por vários meses. Um dos fatores decisivos para o acordo foi a escolha de Bruno Luperi, neto de Benedito, como responsável pela adaptação do roteiro.
Além disso, a Globo ofereceu uma licença avaliada em aproximadamente R$ 5 milhões, valor que encerrou as negociações. Após o acerto, Benedito passou a atuar como consultor informal durante o desenvolvimento da nova versão.