A televisão brasileira perdeu nesta terça-feira (07/07) um de seus maiores nomes. Morreu, aos 95 anos, o dramaturgo Benedito Ruy Barbosa, autor de algumas das novelas mais marcantes da história do país. A informação foi confirmada por pessoas próximas à família. O escritor estava internado no Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, nas últimas semanas. A causa da morte não foi informada.
Nos últimos anos, Benedito enfrentava problemas de saúde que limitaram sua rotina e reduziram suas aparições públicas. Em 2025, precisou ser hospitalizado após o agravamento de um quadro de insuficiência renal crônica. Na ocasião, permaneceu por um período na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) antes de receber alta cerca de um mês depois.
Durante a internação, familiares esclareceram que ele não tinha Alzheimer nem qualquer outra doença neurodegenerativa, desmentindo rumores que circulavam nas redes sociais. Também por recomendação médica, deixou o sítio onde vivia no interior paulista para morar próximo da família, na capital.
A morte de Benedito Ruy Barbosa representa o fim de uma das carreiras mais influentes da dramaturgia nacional. Seu trabalho foi responsável por levar o interior do Brasil ao centro da televisão, retratando a vida no campo, as tradições populares, os conflitos pela terra, a preservação ambiental e as relações familiares com uma sensibilidade rara.
Ao longo de décadas, o autor transformou paisagens rurais em protagonistas de grandes histórias e apresentou personagens que conquistaram gerações de telespectadores. Suas tramas iam além do entretenimento, abordando questões sociais e emocionais que dialogavam diretamente com a identidade brasileira.
Entre suas obras mais emblemáticas estão "Pantanal", "Renascer", "O Rei do Gado", "Terra Nostra" e "Esperança". Todas marcaram época, alcançaram grande audiência e permaneceram vivas no imaginário do público, consolidando o escritor como um dos principais responsáveis pela valorização da cultura brasileira na televisão.
Um de seus maiores marcos foi Pantanal, exibida originalmente em 1990. A novela inovou ao explorar a natureza como elemento central da narrativa e mudou a forma como a dramaturgia era produzida no país. Décadas depois, a obra voltou às telas em uma nova adaptação, comprovando a força e a atualidade da história criada por Benedito.
Natural de Gália, no interior de São Paulo, onde nasceu em 17 de abril de 1931, Benedito Ruy Barbosa construiu uma trajetória que atravessou diferentes gerações da televisão brasileira. Seu estilo de escrita ficou conhecido pela construção cuidadosa dos personagens, pelo ritmo contemplativo e pela valorização das emoções humanas, sempre inseridas em cenários que refletiam a diversidade do Brasil.
Ao longo da carreira, recebeu diversos prêmios e homenagens, tornando-se referência para autores e profissionais da televisão. Seu legado, no entanto, ultrapassa o reconhecimento da crítica: permanece vivo nas histórias que ajudaram a moldar a identidade da novela brasileira e continuam conquistando novos públicos.
Benedito deixa quatro filhos: as autoras Edmara e Edilene, além de Ruy Maurício e Marcelo. Também deixa dez netos, entre eles Bruno Luperi, que seguiu os passos do avô como autor de novelas.
Com sua morte, a dramaturgia brasileira se despede de um escritor que fez do Brasil o grande personagem de suas histórias. Sua obra permanece como um dos maiores patrimônios da televisão nacional e continuará atravessando gerações.
O velório será realizado a partir das 15h, no Funeral Home, localizado na Rua São Carlos do Pinhal, 376, no bairro Bela Vista, em São Paulo.