Suellen Carey, de 38 anos, afirma que está tratando na terapia o que chama de “futebolfobia”, um receio desenvolvido após anos evitando ambientes ligados ao futebol por se sentir vulnerável como mulher trans. Apesar disso, a influenciadora diz que nunca deixou de gostar do esporte e acompanha partidas desde a adolescência.
Segundo Suellen, a sensação surgiu porque, ao longo da vida, ela passou a associar os espaços ligados ao futebol a experiências de preconceito, julgamentos e exclusão.
“Eu sempre gostei de futebol, mas nunca me sentia confortável nos ambientes onde ele era consumido. Muitas das lembranças que tenho desses espaços estão ligadas ao medo de ser julgada ou ridicularizada”, afirma.
Para Suellen, o problema nunca foi o esporte em si, mas a relação que criou com os ambientes ao redor dele. A influenciadora afirma que, durante muitos anos, evitou frequentar bares, estádios e locais onde os jogos eram transmitidos por enxergá-los como espaços hostis para mulheres trans e outras pessoas LGBTQIA+.
“Eu cresci vendo o futebol ser tratado como um território muito masculino, onde qualquer comportamento considerado diferente podia virar motivo de piada ou constrangimento. Então eu comecei a me privar desses lugares. Gostava do futebol, mas não me sentia segura nos ambientes que cercavam o esporte”, diz.
Suellen afirma que passou a trabalhar essa questão durante as sessões de terapia e que períodos como a Copa do Mundo costumam despertar sentimentos contraditórios.
“Eu continuo gostando de futebol e tenho vontade de acompanhar os jogos, mas ainda sinto medo de frequentar alguns desses ambientes. Os locais onde as partidas são transmitidas costumam ser muito masculinos e isso ainda me gera insegurança. Estou fazendo terapia e espero conseguir me curar dessa futebolfobia”, relata.
Para a influenciadora, o processo ainda está em andamento, mas ela acredita que já consegue enxergar a situação de forma diferente.
“Hoje eu entendo que o problema nunca foi o futebol. O que me afastava eram as experiências que vivi ao redor dele. Ainda estou trabalhando isso, mas espero conseguir viver esses momentos com mais tranquilidade e sem carregar o mesmo medo de antes”, conclui.