Aos 30 anos, Bruna Marquezine revisitou um dos períodos mais delicados de sua trajetória pessoal e profissional. Durante participação em um evento realizado em São Paulo na noite de segunda-feira (22), a atriz contou como lidou com a pressão da fama, a exposição intensa de sua vida amorosa e os desafios enfrentados nos bastidores da novela "I Love Paraisópolis", exibida em 2015.
Na época, Bruna havia acabado de completar 18 anos e assumia um papel de grande responsabilidade na televisão. Além das cobranças relacionadas ao desempenho da trama, ela enfrentava o impacto da atenção constante sobre seu relacionamento com Neymar, que dominava manchetes e alimentava o interesse do público.
"Foi um momento muito vulnerável da minha vida, tinha completado 18 anos, estava fazendo uma novela que não estava indo muito bem. Me tornei protagonista desta novela já com ela no ar, até em uma tentativa de ganhar o público...", lembrou.
Segundo a artista, a exposição de sua vida pessoal acontecia de forma involuntária e aumentava o peso emocional que carregava naquele momento. Entre idas e vindas, o relacionamento com o jogador da Seleção Brasileira se tornou um dos mais comentados do país entre 2013 e 2018, cenário que ela descreveu como difícil de administrar em paralelo às exigências da carreira.
"Eu estava sentindo o peso disso em paralelo à minha vida pessoal, que estava muito exposta, não por escolha. Estava lidando com o peso de uma vida pessoal muito exposta, um relacionamento muito difícil e a responsabilidade do 'contamos com você'", relembrou.
Durante o bate-papo promovido pela Kérastase no Power Talks, Bruna também revelou que chorava frequentemente nos bastidores da novela das sete. O comportamento, motivado pela fragilidade emocional que vivia naquele período, acabou gerando uma reclamação interna e culminou em uma conversa que a marcou profundamente.
"Eu chorava com muita frequência nos bastidores e fizeram uma reclamação no RH de que eu chorava muito e atrapalhava a maquiagem. Hoje em dia faço piada, mas fui chamada para uma reunião e ouvi de um homem que eu precisava ser como tal atriz e a seguinte frase: 'Aqui você precisa passar o crachá e começar a interpretar'. Aquilo me feriu profundamente. Eu estava tão vulnerável", relembrou durante o bate-papo.
As consequências emocionais daquele episódio se prolongaram por anos. A atriz afirmou que foi justamente nesse contexto que começou a desenvolver a chamada síndrome da impostora, condição associada à dificuldade de reconhecer as próprias conquistas e competências.
"A síndrome da impostora começou ali. Hoje olho para aquela menina com muito afeto. Trabalhei com um ator que, nos bastidores, tinha um desempenho terrível, mas ele nunca foi chamado (para conversa). Graças à terapia, consigo olhar para trás e me acolher. Hoje não aceitaria passar por isso", salientou.
Com a distância do tempo e o auxílio da terapia, Bruna afirma que passou a enxergar aquela fase sob uma nova perspectiva. A atriz destacou que hoje consegue acolher a jovem que enfrentava tantas pressões simultaneamente e reconhece que não aceitaria ser tratada da mesma maneira nos dias atuais.