A situação de Deolane Bezerra dentro da penitenciária ganhou novos desdobramentos após informações sobre seu estado de saúde serem divulgadas pela defesa. Presa há quase três semanas, a influenciadora e advogada estaria enfrentando dificuldades físicas e emocionais enquanto aguarda o andamento do processo judicial.




 

De acordo com informações apresentadas pela jornalista Patrícia Calderon no programa "Além da Notícia", os advogados da influenciadora relataram que ela sofreu uma crise de pânico, condição que já fazia parte de seu histórico médico, e também vem apresentando alterações na pressão arterial. Os representantes legais afirmam ainda que Deolane deixou de se alimentar.

 

Segundo a defesa, a decisão estaria relacionada às condições dos produtos oferecidos na unidade prisional. Os advogados alegam que tanto a água quanto as refeições disponibilizadas não apresentam "condições para o consumo humano".

 

 

Enquanto isso, o caso volta a ser analisado pela Justiça. Nesta terça-feira (9), a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) examina um novo pedido de liberdade apresentado pela defesa da influenciadora.




 

O recurso é conduzido pelo advogado Aury Celso Lima Lopes Junior, que sustenta não haver elementos concretos capazes de justificar a manutenção da prisão preventiva, seja por risco à ordem pública ou por possível interferência na investigação. O promotor Arthur Pinto de Lemos Junior também participará do julgamento.

 

A solicitação chega ao STJ após uma tentativa anterior ter sido rejeitada pelo presidente da Corte, Herman Benjamin, em decisão proferida no dia 28 de maio. Na ocasião, o ministro entendeu que ainda não havia justificativa para uma intervenção antecipada do tribunal superior, destacando a necessidade de conclusão da análise pelas instâncias inferiores.

 

"No caso, a situação dos autos não apresenta nenhuma excepcionalidade a justificar a prematura intervenção desta Corte Superior e superação do referido verbete sumular. Deve-se, por ora, aguardar o esgotamento da jurisdição do Tribunal de origem", afirmou o ministro.




 

 

Deolane foi detida em 21 de maio durante uma ação conjunta da Polícia Civil de São Paulo (PC-SP) e do Ministério Público. As investigações apuram um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas e apontam que a influenciadora teria utilizado sua notoriedade para favorecer a ocultação de recursos atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

 

Os investigadores também mencionam relações com familiares de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola.

 

As apurações identificam Everton de Souza, apelidado de “Player”, como uma peça-chave na movimentação financeira investigada. Conforme a polícia, ele atuaria como operador financeiro da organização criminosa e teria utilizado a empresa "Lopes Lemos Transportadora", descrita pelos investigadores como uma companhia de fachada, para efetuar pagamentos à advogada.




 

A defesa de Deolane contesta essa interpretação e afirma que os valores recebidos possuem origem lícita. Entre eles estão R$ 24,5 mil registrados em comprovantes de 2020, quantia que, segundo os advogados, corresponde exclusivamente a honorários profissionais relacionados à sua atuação jurídica.

 

 

Outro ponto destacado no inquérito envolve a movimentação financeira da influenciadora. De acordo com os investigadores, entre 2018 e 2022 foram registrados R$ 13,6 milhões em transações realizadas por suas contas pessoais.

 

Além disso, cerca de R$ 14 milhões teriam circulado por três empresas ligadas a ela. A investigação também identificou mais de R$ 1 milhão em depósitos feitos em dinheiro vivo entre 2018 e 2021 sem origem comprovada. A defesa, por sua vez, atribui os recursos à atividade exercida por Deolane como advogada.




 

Os investigadores ainda apontam indícios de proximidade entre Deolane e Everton de Souza. Entre os elementos reunidos estão o aluguel de um imóvel pertencente à influenciadora, localizado no bairro do Tatuapé, na zona leste de São Paulo, pelo valor mensal de R$ 5 mil, além de relatos de que o suposto operador financeiro frequentava encontros e eventos familiares promovidos por ela. 

 

 

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