Camila Pitanga protagonizou um momento marcante ao discordar de Mano Brown durante sua participação no podcast “Mano a Mano”, publicado no YouTube na última quinta-feira (21/8).
A atriz de 48 anos interrompeu o apresentador ao ser chamada de “mulata” e afirmou, com firmeza, que se reconhece como uma mulher negra.
Logo no início da conversa, que teve como tema a ancestralidade, o rapper tentou abordar a convidada de maneira respeitosa, mas usou um termo que causou desconforto.
“Você é mulher mulata? Posso usar esse termo ou não?”, perguntou Brown. Camila não hesitou: “Negra!”, respondeu, corrigindo o termo imediatamente.
Mano Brown, então, tentou explicar seu ponto de vista, mencionando a categorização de “pardo” usada frequentemente. “Você sabe que a gente é lido como pardo, certo?”, afirmou. Camila manteve sua posição: “Tudo bem, mas eu não me chamo de parda.”
O apresentador, em seguida, compartilhou sua percepção pessoal sobre identidade racial.
“Eu também não, mas mulato eu sou e eu entendo como a gente é lido. Não adianta eu querer ser o blue [retinto], as pessoas me leem como o brown [negro de pele clara]”, disse, destacando que enxerga a leitura social da cor da pele como fator determinante no tratamento das pessoas.
Ao tocar na diferença entre a leitura social e a autoidentificação, Brown citou o ator Antonio Pitanga, pai da atriz, e afirmou que ele é visto de forma distinta dela.
“E na vida é assim: o mais escuro é o mais escuro, a gente é mais claro, porque a gente teve mistura e tal. E você é lida dessa forma. Eu já vi debates sobre a sua raça e sobre a minha… se você é negra ou não. Então, por isso que eu te pergunto: a visão, a forma como ele é visto, é diferente de você. Certo?”.
Camila reiterou a importância do reconhecimento próprio: “Uma coisa é como me veem e como eu me vejo.” E completou com uma declaração de identidade:
“Como uma mulher negra em movimento. A questão é que, tendo esse baobá do meu lado, tendo Benedita da Silva como também parte da minha ancestralidade, sendo filha de Vera Manhães, tendo essa ancestralidade forte e muito clara no meu horizonte, na minha raiz, eu sei que a gente, quando sabe de si, se coloca com força para o mundo. E isso tem, isso, você não precisa do outro para se reconhecer e se validar”.