No Dia dos Pais (10), Gilberto Gil deu sua primeira entrevista desde a morte da filha Preta Gil, em julho. Em bate-papo com a jornalista Poliana Abritta, exibido pelo "Fantástico" da TV Globo, o cantor falou sobre dor, saudade, amor e a força da filha durante o diagnóstico de câncer.




"Estamos tristes, naturalmente tristes, ainda tendo que nos acostumar com a falta", afirmou Gil. Preta enfrentou a doença por quase três anos. "Ela era muito cheia de vida, muito intensa no sentido afetivo. Mas já vinha com um sofrimento prolongado."
 
 

O artista lembrou que o carinho do público durante o velório, realizado em 25 de julho, trouxe conforto. "Tem um lado de bálsamo, algo que conforta um pouco. Ajuda a resistir à dor da perda." Ele também recordou a morte do filho Pedro, em 1990, aos 19 anos. "Às vezes, os velhos têm a impressão de que os filhos vão enterrá-los. Mas às vezes, não."

"Na época, eu me pronunciei muito enfaticamente a respeito [da morte de Pedro]. Quase como uma queixa", revelou Gilberto Gil.

Preta fazia tratamento nos EUA

Preta Gil compartilhou sua trajetória com o público e tornou-se referência na luta contra preconceitos - desde questões de gênero e sexualidade até o estigma da doença. "Ela viveu uma vida que nos ensina muita coisa. Nos indica direções, escolhas a serem feitas, valores a serem cultivados", disse o pai.




"Era entusiasta da ideia de viver para que a vida seja melhor - para ela e para todos", contou Gil. "É o que fica dela, além da saudade."

Nos meses finais, Preta buscou tratamentos alternativos nos Estados Unidos. "Essa luta intensa pela vida nos comovia e nos chamava à responsabilidade. Ela resolveu ir com empenho e amor à vida."
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