Lina Pereira, a Linn da Quebrada, está mais serena, mas com a mesma intensidade que a tornou uma das vozes mais potentes da arte e da diversidade. Aos 34 anos, ela falou sobre recomeços, dores antigas e as feridas que transformou em força, em entrevista para a "Glamour"
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Com coragem, contou que o “Big Brother Brasil”, onde participou em 2022, foi como uma espécie de primeiro “rehab”, um momento que a afastou das substâncias e a colocou frente a frente com sua vulnerabilidade.
“O BBB me deu o privilégio de entrar em contato com a minha fragilidade”, declarou. Na época, ela queria mostrar a mulher por trás da personagem, e não apenas a figura corajosa que o público já conhecia.
Hoje, ela reconhece o valor desse processo e a importância de ter aceitado ajuda ao longo de sua luta contra o abuso de substâncias. “Aceitar ajuda é difícil, mas fui entendendo que precisava”, afirmou.
Lina também relembrou a infância marcada pela ausência do pai, o rompimento com a religião e o início da transição. Aos 17 anos, foi desassociada das Testemunhas de Jeová após ser vista vestida de mulher.
“Foi doloroso, mas também o momento em que tomei meu corpo para mim”, disse. A experiência com o teatro ajudou a curar, e ali nasceu sua personagem: Linn da Quebrada, uma invenção de coragem para enfrentar o mundo.
Hoje, em recuperação e mais conectada com sua essência, ela celebra a redescoberta da arte como cura. No filme “Vitória”, ao lado de Fernanda Montenegro, ela se emocionou ao se ver nas telas: “Me lembrou que eu sou uma artista, que tenho o direito de existir com força e sensibilidade”.
Linn sabe que o caminho ainda é longo, mas está disposta a segui-lo com consciência, afeto e entrega. “Ser humanizada enquanto uma travesti é algo muito valioso”, disse. E com essa frase, ela segue sendo o que sempre foi: necessária.