Depois de 25 anos de casamento, Juniper e Jeff perceberam que a rotina havia ocupado um espaço cada vez maior na relação. Os dois têm empregos, cuidam das filhas gêmeas em idade escolar e também acompanham os pais idosos. Com tantas responsabilidades, os momentos de intimidade foram ficando menos frequentes, chegando a duas ou três vezes por mês. Para tentar mudar esse cenário, o casal norte-americano decidiu experimentar uma alternativa pouco convencional: um aplicativo que usa inteligência artificial para sugerir formas de aproximar os parceiros e estimular a vida sexual.




 

"Nós dois temos dois empregos. Temos filhos em idade escolar e pais idosos. Estamos exaustos", contou Juniper, de 43 anos, a um portal internacional. Segundo ela, o cansaço tornou mais difícil encontrar disposição para a intimidade.

 

De onde surgiu a ideia?

 

A procura pelo aplicativo veio justamente da dificuldade de saber como iniciar uma mudança na relação. Juniper e Jeff, que são professores, disseram que não queriam recorrer naquele momento a alternativas mais tradicionais, como a terapia de casal. Ao criar os perfis, os dois responderam a questionários sobre preferências e sobre a dinâmica do relacionamento.

 

As respostas são usadas pela plataforma para identificar diferentes perfis relacionados à forma como cada pessoa vivencia o desejo. Nicholas Velotta, sexólogo e chefe de ciência do aplicativo, chama essa classificação de "plano sensual".




 

"Essas personas são como um espectro, e embora a maioria das pessoas tenha um pouco de cada uma delas, todas tendem a se destacar mais por uma", afirmou.

 

Juniper e Jeff foram classificados como "aventureiros", perfil associado à busca por novidades e experiências diferentes. A plataforma também identifica outras categorias, como:

 

Conectores: valorizam especialmente as sensações físicas.

 

Românticos: priorizam a conexão emocional.

 

Diretores: encontram estímulo na espontaneidade e em elementos visuais.




 

Como a inteligência artificial entra na relação?

 

Depois de identificar os perfis, o aplicativo apresenta sugestões pensadas para estimular a interação entre o casal. Entre os recursos estão cenas, playlists, ideias para criar um clima diferente e orientações que podem servir como ponto de partida para uma conversa sobre desejos e preferências.

 

Juniper conta que os vídeos disponíveis também ajudaram o casal a abordar assuntos que antes não faziam parte das conversas. O conteúdo varia entre materiais informativos e outros voltados à sexualidade.

 

"Um de nós manda uma mensagem para o outro: 'Ei, você viu isso?' É fácil, divertido e empolgante enviar um link e dizer: 'Estou muito animado para experimentar. Topa?'", relatou.




 

Alguns planos do serviço incluem ainda o envio periódico de produtos relacionados à intimidade. O chatbot também pode responder a dúvidas sobre sexo e indicar quando determinada questão precisa ser levada a um profissional.

 

O que mudou na relação?

 

Apesar de recorrerem à tecnologia para encontrar novas possibilidades, Juniper e Jeff afirmam que não ficam conversando com a inteligência artificial durante os momentos íntimos. Para eles, o principal efeito da experiência foi abrir espaço para assuntos que antes pareciam difíceis de abordar.

 

"Não é que eu não soubesse ou não tivesse interesse, eu simplesmente não sabia por onde começar e como abordar o assunto. Nosso sexo já era ótimo, perfeitamente normal. Acontece que pode ser melhor do que ótimo", afirmou Juniper.




 

A experiência também levou os dois a conhecerem interesses que ainda não haviam explorado juntos. Jeff conta que o casal passou a conversar sobre fetiches ligados ao BDSM e descobriu afinidades que desconhecia.

 

"Ficamos muito felizes ao descobrir que havia algumas coisas que nos empolgavam bastante. Eu não fazia ideia de que ela se interessava por isso, e de repente a gente pensa: 'Olha só para a gente, olha só o que a gente gosta'. No último ano, tivemos experiências no quarto que eu nem imaginava serem possíveis", contou.

 

Mais do que as sugestões oferecidas pela tecnologia, o casal atribui a mudança à possibilidade de voltar a conversar sobre intimidade depois de anos dividindo a atenção entre trabalho, filhos e outras responsabilidades. A inteligência artificial, nesse caso, funcionou como um ponto de partida para uma conversa que os dois não sabiam como iniciar. 

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