Projetada pelo consórcio Øresundsbron para unir Copenhague a Malmö, a estrutura combina travessia elevada, ilha artificial e galeria submarina sem interromper o tráfego aéreo e marítimo europeu.
Por que a ponte não vai direto de uma margem até a outra?
Se a estrutura mantivesse torres altas perto da costa dinamarquesa, os mastros de aço colidiriam com as rotas de aproximação dos aviões no Aeroporto de Kastrup. Por outro lado, fazer uma ponte baixa impediria a passagem dos cargueiros que cruzam o Mar Báltico.
A engenharia contornou o impasse dividindo a travessia: uma ponte elevada com vãos livres no lado sueco e um túnel subterrâneo sob o canal navegável dinamarquês. Essa mudança de nível ocorre na ilha artificial de Peberholm, criando a ilusão visual de que a pista desaparece na água.

Quais são os números e especificações da Ponte de Øresund?
Os dados técnicos mantidos pela concessionária Øresundsbron mostram como a estrutura suporta o peso combinado de trens de carga e milhares de veículos rodoviários por dia.
Comprimento total da travessia: soma 15,9 quilômetros entre a costa de Malmö e a península de Kastrup, divididos em ponte, ilha e túnel.
- Extensão da ponte estaiada: possui 7.845 metros de comprimento com um vão central suspenso de 490 metros de largura.
- Altura dos pilares pylon: torres de concreto armado com 204 metros de altura seguram os cabos de aço em formato de harpa.
- Comprimento do túnel imerso: galeria subterrânea de 4.050 metros de extensão composta por 20 blocos pré-fabricados de concreto.
- Gabarito de navegação vertical: altura livre de 57 metros sob o vão principal para a passagem de grandes navios mercantes.
Como os blocos do túnel foram afundados e encaixados no fundo do mar?
Em vez de perfurar a terra por baixo, os engenheiros construíram enormes caixas ocas de concreto em um estaleiro em terra firme. Cada um desses blocos media 176 metros de comprimento e pesava cerca de 55.000 toneladas, funcionando como grandes caixotes selados que flutuavam com apoio de rebocadores.
As peças foram rebocadas até o local correto e preenchidas com água de forma controlada até afundarem em uma trincheira escavada no leito marinho. Macacos hidráulicos de alta precisão uniram os blocos debaixo d’água, permitindo que a água fosse drenada para criar o túnel seco por onde passam os carros e trens.
O que faz essa ponte resistir a ventos fortes e congelamento do mar?
O estreito de Øresund é atingido por tempestades severas no inverno e o acúmulo de gelo sobre a pista pode desestabilizar a travessia. Para resistir à maresia e às variações térmicas de -20 °C a 30 °C, as vigas caixão foram revestidas com pintura epóxi especial sobre o aço.
Os cabos de aço dos estais possuem amortecedores hidráulicos internos instalados perto dos pontos de ancoragem na pista. Essa tecnologia elimina a vibração induzida pela combinação de vento e chuva, evitando a fadiga do metal nas conexões principais.
Abaixo, um vídeo do canal The B1M que aprofunda o tema:
Quais normas técnicas garantem a segurança de pontes estaiadas e túneis imersos?
Projetos de grande porte no mar seguem especificações europeias de cálculo estrutural como a EN 1993 (Eurocode 3) para estruturas de aço e a EN 1992 (Eurocode 2) para estruturas de concreto. No Brasil, os requisitos de segurança em travessias rodoviárias são regulados pela norma ABNT NBR 7187.
Seguir essas regras garante que a estrutura suporte o impacto de navios desgarrados sem desmoronar. Sensores nas bases dos pilares monitoram qualquer oscilação milimétrica na fundação, alertando os engenheiros em tempo real.

Quando uma obra viária precisa de parecer de um especialista em pontes?
Qualquer intervenção em pontes, viadutos ou galerias subterrâneas exige a atuação direta de um engenheiro civil especializado em estruturas ou consultor de infraestrutura viária. Alterações na distribuição de peso sem cálculo de esforço provocam deformações na pista e fissuras graves.
Esse tipo de projeto não é um trabalho que você faz sozinho porque envolve análise de ventos extremos e estabilidade do solo marinho. O acompanhamento técnico previne erros de ancoragem e garante a vida útil da estrutura por mais de um século.
Contexto importante: Este artigo é informativo. Para projetos de travessias, acessos viários ou recuperação estrutural, recomenda-se a avaliação de um engenheiro civil especializado em estruturas, especialmente em contextos de risco de corrosão marinha, vibração excessiva por vento ou recalque de fundação.
