Escondida dentro das rochas de Cubatão, uma das maiores obras de engenharia da América Latina combina escavação profunda e força hidráulica extrema para manter o sistema elétrico operando. No sopé da Serra do Mar, em Cubatão, o complexo hidrelétrico construído na rocha enfrenta um dos ambientes mais úmidos do país para abastecer o polo industrial e garantir energia em momentos de pico.
Por que construir uma usina elétrica inteira dentro de uma caverna na montanha?
Imagine abrigar geradores elétricos do tamanho de casas dentro de uma rocha maciça. A escavação subterrânea foi adotada na década de 1950 para proteger a infraestrutura contra deslizamentos de terra na encosta e garantir segurança estratégica militar em tempos de guerra.
Para isso, engenheiros perfuraram a rocha sã da maciço granítico, criando um salão de 120 metros de comprimento, 21 metros de largura e 39 metros de altura. Essa câmara subterrânea suporta a pressão da montanha sem necessitar de colunas intermediárias, utilizando ancoragens de aço e concreto projetado. Assim, o maciço rochoso atua como um escudo estrutural permanente contra intempéries superficiais.

Quais são as dimensões e especificações técnicas da Usina Henry Borden?
As dimensões do complexo operado pela EMAE impressionam pela escala geométrica e pelos parâmetros hidráulicos projetados para resistir a altas pressões contínuas.
Capacidade instalada total de 889 MW: o complexo é divido em duas centrais, sendo 469 MW na usina externa convencional e 420 MW na câmara subterrânea.
- Dimensões da caverna subterrânea: o grande salão escavado mede 120 metros de comprimento, 21 metros de largura e 39 metros de altura útil.
- Altura da queda d’água útil: o declive hidráulico aproveita 720 metros de desnivelamento entre o reservatório do Rio das Pedras e o vale do sopé.
- Velocidade do jato d’água: a água atinge as turbinas do tipo Pelton a uma velocidade que varia entre 420 km/h e 430 km/h, movida exclusivamente pela força da gravidade.
- Total de unidades geradoras: o sistema opera com 14 turbinas, sendo 8 grupos geradores na usina externa e 6 grupos na usina subterrânea, garantindo flexibilidade operacional.
Como a força da gravidade transforma a água em energia de alta velocidade?
Você já tentou segurar uma mangueira de alta pressão? O princípio da usina é idêntico, mas multiplicado por milhares de vezes: a água acumulada no topo da serra desce por tubos de aço inclinados chamados condutos forçados.
Ao percorrer o declive vertical de 720 metros, a energia potencial gravitacional se converte em energia cinética extrema. O jato d’água sai por injetores ajustáveis e atinge as conchas das turbinas Pelton a mais de 420 km/h, fazendo os rotores girarem para gerar eletricidade em instantes. Por isso, a usina consegue entrar em operação em menos de 15 minutos quando o sistema elétrico precisa de reforço urgente.
Quer ver como a usina centenária funciona por dentro em detalhes?
Entender a engenharia de uma hidrelétrica cravada na montanha fica mais fácil quando observamos a escala real do maquinário e o fluxo de água nos condutos subterrâneos.
O documentário do canal especializado analisa o funcionamento das turbinas e a importância estratégica desse complexo para a estabilidade do sistema elétrico.
Abaixo, um vídeo do canal MegaWhat que aprofunda o tema:
Quais normas ambientais e de engenharia regem a operação do complexo?
A operação de usinas subterrâneas exige rígido controle geotécnico conforme as diretrizes da norma ABNT NBR 6122, que estabelece critérios de estabilidade para escavações rochosas e contenções em maciços profundos. Além disso, o concreto estrutural utilizado nos túneis e fundações segue as especificações da ABNT NBR 12655 para evitar desgaste por umidade extrema.
No âmbito ambiental, as operações de bombeamento do Rio Pinheiros para o reservatório Billings são reguladas pela Resolução Conjunta SMA/SES 03/92, atualizada pela Resolução SMA-SSE-02/2010. Essas normativas restringem o fluxo hidráulico apenas para controle de cheias, preservando a qualidade da água e mitigando impactos ambientais na baía de Santos.

Quando é necessário contratar um engenheiro geotécnico para obras subterrâneas?
Qualquer escavação em maciços rochosos ou solos profundos exige a atuação direta de um engenheiro geotécnico e de um engenheiro hidráulico. Projetos de contenção e drenagem profunda dependem do estudo de estabilidade de taludes e do comportamento das pressões neutras da água na rocha.
Trabalhos em túneis ou porões estruturais não devem ser realizados de forma improvisada, pois a alteração do estado de tensão do solo pode provocar desabamentos sérios ou infiltrações incontroláveis. Somente profissionais habilitados conseguem dimensionar tirantes, concreto projetado e galerias de drenagem adequadas.
Contexto importante: Este artigo é informativo. Para projetos estruturais locais similares, recomenda-se avaliação de engenheiro geotécnico e engenheiro hidráulico, especialmente em contextos de risco de infiltração, instabilidade de maciço rochoso ou comprometimento estrutural.

