Engenheiros ergueram uma ponte inteira de 1.715 toneladas sem demolir a estrutura original sobre o Rio Jacuí. A enchente histórica no Rio Grande do Sul fez o Rio Jacuí engolir a travessia da BR-153/RS. Para evitar o isolamento de Cachoeira do Sul, a engenharia ergueu a ponte sem demolir sua estrutura metálica.
Como é possível erguer uma ponte inteira de aço sem quebrá-la?
Você já tentou levantar uma mesa pesada e percebeu que, se puxar só de um lado, a madeira estala? Com uma travessia rodoviária de 1.715 toneladas, o risco é idêntico: qualquer milímetro de torção desalinhada pode rasgar as vigas de aço. Para evitar trincas estruturais, a elevação é feita por macacagem hidráulica sincronizada por computador.
Os engenheiros posicionaram 12 macacos hidráulicos sob os pontos de apoio da Ponte do Fandango. Cada cilindro exerceu pressão controlada de 300 toneladas, somando 3.600 toneladas de força total — o equivalente a erguer mais de 2.500 carros populares ao mesmo tempo. Assim, o conjunto subiu 3,14 metros com precisão milimétrica em cerca de duas horas.

Quais são as dimensões e os números da elevação da Ponte do Fandango?
A intervenção executada pelo DNIT exigiu o reajuste completo do vão metálico e a reconstrução dos acessos rodoviários para receber o tráfego pesado com segurança.
Içamento vertical de 3,14 metros: a elevação do tabuleiro de aço aumentou o espaço livre sobre o Rio Jacuí, impedindo que novas cheias atinjam a pista e represem o fluxo de água.
- Força total de macacagem de 3.600 toneladas: sistema composto por 12 macacos hidráulicos de alta pressão operando em sincronia milimétrica.
- Extensão total do complexo de 574 metros: abrange 180 metros de travessia metálica sobre o rio e rampas de acesso de até 200 metros nas margens.
- Capacidade de tráfego ampliada para 45 toneladas: reforço do esqueleto de aço para suportar caminhões tritrens e carretas pesadas do agronegócio.
- Extensão do viaduto de acesso em 32 metros: suavização da aclividade na margem norte para garantir frenagem e aceleração seguras.
Como funciona o passo a passo para subir uma travessia sem derrubar o viaduto?
Antes de acionar os cilindros de pressão, as equipes trabalharam por seis meses reforçando os pilares de concreto e cortando o asfalto nas extremidades. Quando os macacos hidráulicos foram ligados, a travessia subiu em pequenos passos de poucos centímetros, sendo travada por blocos de aço a cada etapa para impedir qualquer queda.
Assim que a estrutura atingiu a altura planejada, os pilares de concreto foram concretados e prolongados para receber o novo peso. Depois de fixar a ponte metálica no topo elevado, as equipes construíram novos acessos com rampas suavemente inclinadas, liberando o tráfego rodoviário sem solavancos.
Como a obra da Ponte do Fandango foi executada no Rio Grande do Sul?
A execução da obra no trecho da BR-153/RS exigiu a paralisação temporária do trânsito e a operação de balsas para a travessia de emergência. As equipes trabalharam em ritmo intenso para concluir a obra histórica no Rio Jacuí.
A liberação da travessia restabeleceu a ligação rodoviária entre Cachoeira do Sul e os principais corredores logísticos do estado. A renovação garante que os caminhões de safra cruzem a região com total estabilidade.
Abaixo, um vídeo do canal TV Cachoeira Novo Tempo detalha os ajustes finais da obra:
Qual norma técnica exige o reforço para caminhões de 45 toneladas?
A ampliação da capacidade de carga obedece aos parâmetros da norma ABNT NBR 7188, que define a carga móvel padrão chamada Trem-Tipo 45. Essa exigência garante que a estrutura suporte o peso concentrado dos caminhões mais pesados sem sofrer deformação permanente.
Além disso, a engenharia utilizou as especificações das normas ABNT NBR 7187 e ABNT NBR 8800 para vigas metálicas e pilares de concreto. O cumprimento rigoroso dessas regras assegura resistência contínua contra vibrações e variações térmicas por longas décadas.

Quando é necessário consultar um engenheiro estrutural para avaliar pontes e rampas?
Qualquer intervenção de grande porte em travessias ou acessos requer a atuação direta de um engenheiro estrutural ou engenheiro geotécnico. Diagnósticos de trincas no concreto, desgaste de aparelhos de apoio ou recalques no solo exigem ensaios laboratoriais rigorosos.
Improvisar obras ou alterar rampas sem o cálculo prévio de engenharia pode gerar colapsos súbitos sob tráfego intenso. A presença do especialista credenciado garante que a estrutura suporte com segurança as forças de compressão e flexão.
Contexto importante: Este artigo é informativo. Para projetos estruturais e reforços de travessias rodoviárias, recomenda-se a avaliação técnica de um engenheiro estrutural ou engenheiro geotécnico credenciado, prevenindo riscos de fadiga de materiais, trincas por sobrecarga e colapsos estruturais.

