A inauguração da Ponte Senqu garante a ligação rodoviária A1 no Lesoto antes que o reservatório da barragem de Polihali inunde a antiga rota. Com 825 metros de extensão no vale do rio Senqu, a nova ponte do Lesoto evita o isolamento de comunidades nas montanhas de Maloti devido ao futuro reservatório da barragem de Polihali.
Por que escolher uma ponte extradosada em vez de um modelo estaiado tradicional?
Você já sentiu o balanço de uma ponte alta quando sopra um vento forte nas montanhas? Em vales profundos, rajadas intensas exigem tabuleiros muito rígidos para impedir vibrações perigosas na pista. A solução adotada combina cabos de aço externos com uma viga caixa de concreto para criar uma estrutura híbrida conhecida como ponte extradosada.
Diferente de uma ponte estaiada comum que exige mastros gigantescos, os mastros da Ponte Senqu têm baixa altura em relação aos vãos de 100 metros. Isso distribui os esforços de compressão diretamente no tabuleiro de concreto com alta rigidez torcional, mantendo a estabilidade estrutural mesmo sob rajadas de vento acima de 100 km/h no relevo das montanhas Maloti.

Quais são as dimensões e especificações técnicas da Ponte Senqu?
Projetada pelo consórcio liderado pela construtora Webuild para a autoridade Lesotho Highlands Development Authority, a estrutura precisou vencer um abismo de 90 metros de profundidade antes do enchimento do lago. Os números da obra refletem a complexidade do projeto no continente africano:
Extensão total do tabuleiro: atinge 825 metros divididos em 16 vãos estruturais para cruzar todo o vale do rio Senqu.
- Vão central principal: possui 100 metros de luz livre entre os apoios principais, garantindo vazão hidráulica total para o futuro reservatório.
- Altura dos pilares de sustentação: varia de 15 a 90 metros de altura no ponto mais profundo do vale, apoiados em fundações profundas de rocha basalto.
- Tipologia estrutural híbrida: utiliza o sistema de ponte extradosada, sendo a primeira obra dessa categoria construída no reino do Lesoto.
- Elevação em relação ao nível do mar: localizada a mais de 1.400 metros de altitude, exigindo concreto com aditivos especiais contra congelamento.
Como os engenheiros ergueram pilares de 90 metros em terreno de difícil acesso?
A construção de colunas de concreto tão altas exige métodos dinâmicos para evitar o uso de andaimes gigantescos do chão até o topo. A equipe utilizou fôrmas deslizantes guiadas por macacos hidráulicos, subindo o molde em ritmo contínuo de até 4 metros por dia durante 22 dias seguidos em cada pilar.
Durante a concretagem no topo das colunas a quase 100 metros de altura, ventiladores de refrigeração interna e sensores térmicos controlaram a cura do concreto contra oscilações de temperatura do clima de montanha. Assim, o concreto secou sem trincas estruturais e os segmentos do tabuleiro avançaram com balanços sucessivos de forma segura.
Onde conferir os detalhes da construção da Ponte Senqu em vídeo?
O progresso das obras e os desafios do projeto Lesotho Highlands Water Project foram registrados em vídeos documentais do canteiro de obras. As imagens mostram a montagem dos pilares de 90 metros e a passagem dos cabos extradosados na estrutura.
Abaixo, a produção detalha como a infraestrutura rodoviária integra o plano de abastecimento de água entre o Lesoto e a África do Sul.
Abaixo, um vídeo do canal Riaan Roux que aprofunda o tema:
Quais normas de engenharia orientaram o projeto estrutural da ponte?
O dimensionamento da Ponte Senqu seguiu os critérios do código regional SADC Code of Practice for the Design of Highway Bridges e diretrizes dos Eurocodes (EN 1992 e EN 1993) para estruturas de concreto protendido e aço. Essas normas definem coeficientes de segurança para cargas de tráfego pesado e efeitos de fadiga.
Seguir esses padrões internacionais garante que a superestrutura suporte a degradação por ciclos térmicos de congelamento e os ventos laterais sem sofrer deformações permanentes ao longo de uma vida útil projetada para mais de 100 anos.

Quando é necessário contratar um engenheiro calculista de pontes?
O projeto de travessias de grande vão ou em solos instáveis exige a consultoria de um engenheiro calculista de pontes e de um engenheiro geotécnico. Apenas especialistas habilitados conseguem calcular o comportamento dinâmico de rajadas de vento e a capacidade de suporte da rocha de fundação.
Estruturas viárias não podem ser executadas com soluções improvisadas, pois pequenas falhas na ancoragem de cabos ou no cálculo de esforço cortante provocam acidentes catastróficos e colapso total da pista.
Contexto importante: Este artigo é informativo. Para projetos estruturais locais similares, recomenda-se avaliação de engenheiro civil especialista em pontes ou engenheiro geotécnico, especialmente em contextos de risco de colapso estrutural, deformação por vento ou instabilidade em fundações viárias.

