A fragilidade dos cabos subaquáticos assentados na década de 1960 exigiu a construção de um novo túnel subterrâneo de 2,2 km para garantir o abastecimento elétrico entre as subestações de Grain e Tilbury, na Inglaterra.
Por que escavar um túnel profundo é mais seguro do que lançar cabos no fundo do rio?
Cabos elétricos repousados diretamente no leito de rios navegáveis correm o risco constante de sofrerem arrastos de âncoras de navios e corrosão extrema pela água salobra. Para evitar apagões e manutenções complexas sob a água, a engenharia opta por escavar uma galeria seca e protegida dezenas de metros abaixo do leito, utilizando o método de **tunelamento com escudamento TBM**.
A tuneladora **TBM Caroline** funciona como uma fábrica subterrânea sobre trilhos: sua roda frontal corta a rocha e o solo de **argila mole**, enquanto um cilindro metálico selado impede que a água do rio entre na escavação sob pressão hidrostática de até 4 bar — o equivalente a suportar 40 metros de coluna d’água sobre a cabeça dos operadores.

Quais são as dimensões e números de engenharia do novo túnel elétrico?
A obra executada pela joint venture **Ferrovial BEMO JV** para a concessionária **National Grid** exige logística contínua para transportar material e montar a estrutura definitiva no estuário do Rio Tâmes.
Comprimento total da galeria: possui 2,2 quilômetros de extensão contínua conectando as subestações de Tilbury e Grain sob o Rio Tâmes.
- Extensão escavada até o marco intermediário: superou 1,1 quilômetro de avanço subterrâneo conduzido pela TBM Caroline.
- Volume de solo escavado e removido: mais de 40 mil toneladas de material geotécnico extraído do subsolo do rio.
- Revestimento estrutural de concreto: instalação de mais de 5.100 segmentos pré-moldados selados em anéis helicoidais.
- Diâmetro interno da galeria: dimensão projetada de 4,0 metros para abrigar os cabos elétricos de alta tensão de 400 kV.
Como a tuneladora Caroline escava e reveste o túnel simultaneamente na prática?
Enquanto as ferramentas de corte na frente da máquina trituram o terreno, macacos hidráulicos de alta capacidade empurram a tuneladora para a frente apoiando-se no último anel montado. No interior do escudo protetor, um braço mecânico automatizado pega cada bloco de **concreto pré-moldado** e o encaixa com precisão milimétrica para formar o anel seguinte.
Assim que o anel é parafusado, uma nata de cimento com aditivos de pega rápida é injetada no espaço entre o solo escavado e o concreto, preenchendo qualquer vazio e travando a estrutura no lugar antes que o terreno ao redor possa ceder.
Como a modernização da rede elétrica transforma a infraestrutura nacional?
A renovação de travessias elétricas estratégicas faz parte do programa de investimentos **Great Grid Upgrade**, que moderniza a rede de transmissão para suportar o aumento da demanda de energia limpa vinda de fontes eólicas e solares.
A transição de linhas subaquáticas antigas para túneis técnicos em profundidade elimina riscos ambientais de vazamento de fluídos isolantes e aumenta a resiliência do sistema contra eventos climáticos extremos.
Abaixo, um vídeo oficial da National Grid UK que detalha os objetivos do programa de infraestrutura energética:
Quais normas técnicas regem a construção de túneis e cabos elétricos subterrâneos?
O dimensionamento dos anéis e da impermeabilização do túnel obedece às exigências da **Eurocode 2** (BS EN 1992) para estruturas de concreto e parâmetros equivalentes à **ABNT NBR 6118**, garantindo controle rígido sobre fissuração e durabilidade em ambientes quimicamente agressivos.
Além disso, o assentamento dos condutores de alta tensão segue a norma internacional **IEC 60840**, que estabelece rígidos critérios de isolamento térmico e elétrico para cabos de transmissão subterrâneos operando em tensões de 400 kV.

Quando a avaliação de um engenheiro geotécnico é indispensável?
A atuação de um **engenheiro geotécnico** e de um **engenheiro civil especializado em tunelamento** é obrigatória antes de qualquer perfuração subterrânea sob rios ou em zonas urbanas adensadas para calcular os assentamentos do terreno e o suporte do escudo.
Esse planejamento técnico evita desmoronamentos na frente de escavação e define o tipo exato de aditivo para a argamassa de injeção, impedindo a entrada indevida de água do lençol freático na galeria.
Contexto importante: Este artigo é informativo. Para projetos estruturais locais similares, recomenda-se avaliação de engenheiro geotécnico / especialista em tunelamento, especialmente em contextos de risco de infiltração, instabilidade de solo ou comprometimento estrutural.

