A maior barreira hidráulica da Ásia Central gera eletricidade durante a construção e eleva o reservatório para suportar a pressão do rio Vakhsh. Construir uma montanha de rochas no leito de um rio turbulento exige controlar forças brutais de água enquanto a estrutura ganha altura no Tajiquistão.
Como uma barragem consegue gerar eletricidade antes mesmo de ser totalmente concluída?
Você já tentou encher uma piscina de plástico enquanto ela ainda está sendo montada no quintal? Em barragens convencionais, a usina fica desligada até o reservatório atingir a capacidade máxima, mas em grandes obras de engenharia a água pode produzir energia enquanto os caminhões jogam pedras no topo. Isso acontece porque os engenheiros constroem uma usina provisória subterrânea conectada a um enrocamento com núcleo de argila.
Na Barragem de Rogun, a construtora Webuild instalou duas turbinas Francis em cavernas escavadas no interior das montanhas para funcionar com queda d’água parcial. O peso das milhares de toneladas de rochas empilhadas na barreira e a vedação de argila suportam a força do rio Vakhsh, permitindo que a água passe pelas turbinas e gere eletricidade sem arrastar o aterro em construção.

Quais são as dimensões técnicas e a capacidade da Barragem de Rogun?
As dimensões do projeto exigem números superlativos para garantir a estabilidade do maciço contra terremotos e cheias sazonais na Ásia Central. Cada parâmetro técnico reflete o volume de material e o esforço de engenharia necessário para erguer a estrutura mais alta do mundo.
Altura atual e meta final: a barreira alcançou 190 metros de altura em relação ao leito do rio, devendo atingir 335 metros na conclusão do projeto para superar o recorde mundial da usina de Jinping-I.
- Cota de topo em 2026: o maciço atingiu a marca de 1.155 metros acima do nível do mar, permitindo elevar o nível de retenção do reservatório até a cota operacional de 1.140 metros.
- Elevação do reservatório: a retenção de água subiu 40 metros adicionais em relação à etapa anterior, aumentando a pressão hidráulica exercida sobre as tomadas d’água da usina.
- Volume de aterro posicionado: foram depositados 49 milhões de metros cúbicos de rochas e solos selecionados no corpo do enrocamento com núcleo de argila.
- Perfurações de vedação geotécnica: a equipe da Webuild executou mais de 500 mil metros lineares de furos profundos para aplicar a cortina de injeção no solo rochoso.
- Capacidade instalada total: a usina abrigará seis turbinas de 600 MW cada, somando 3.600 MW para dobrar toda a oferta de energia elétrica do Tajiquistão.
O que muda na prática ao elevar a barreira para a cota de 1.155 metros?
Ao elevar o topo da barreira para 1.155 metros sobre o nível do mar, os engenheiros puderam fechar comportas secundárias e represar mais água no vale do rio. Esse ganho de 40 metros na lâmina d’água funciona como aumentar a altura de uma caixa-d’água no telhado, fazendo a água descer com muito mais velocidade e força pelos condutos forçados.
Com maior altura de queda e pressão concentrada, as pás do rotor da turbina giram com mais torque, aumentando a eficiência operacional das duas unidades geradoras ativas. A receita obtida com a venda dessa eletricidade financia o transporte contínuo de rochas para as próximas etapas do aterro sem interromper o curso do rio.
Onde acompanhar a evolução contínua das obras no rio Vakhsh?
O canteiro de obras mobiliza frotas pesadas de caminhões fora de estrada e escavadeiras gigantes em turnos de 24 horas. O avanço físico exige o transporte ininterrupto de basalto e granito para consolidar o maciço antes da temporada de descongelamento das neves nas montanhas.
Inspeções técnicas lideradas pelas autoridades governamentais e pela equipe de engenharia do grupo Webuild documentam a evolução das galerias subterrâneas e do Lote 2 da barreira. Essas imagens registram o ritmo de montagem do aterro e o comportamento dos instrumentos de auscultação estrutural.
Abaixo, um vídeo do canal oficial da Televisioni Tojikiston (TVT) que apresenta a inspeção no canteiro de obras da usina:
Quais normas e padrões geotécnicos garantem a segurança de uma barragem desse porte?
Projetar e construir barreiras de grande porte exige seguir as diretrizes da ICOLD (Comissão Internacional de Grandes Barragens) e normas nacionais rigorosas, como a NBR 13028 para maciços de aterro. Esses manuais definem critérios estritos para o grau de compactação dos solos e preveem a resistência contra terremotos extremos na região montanhosa.
O cumprimento dessas normas impede a percolação de água no interior do aterro, evitando que o fluxo contínuo lave os finos e cause erosão interna. Para blindar a base rochosa, os engenheiros constroem uma cortina de injeção com calda de cimento sob alta pressão, selando fraturas e impedindo vazamentos na fundação.

Quando é necessário contratar um engenheiro geotécnico em obras com terra e água?
Sempre que uma obra envolve retenção de água, corte de taludes ou contenções de terra, a presença de um engenheiro geotécnico é obrigatória. Esse especialista realiza ensaios de sondagem do solo, mede a permeabilidade e dimensiona as camadas para evitar o risco de colapso ou escorregamento de terra.
Tentar conter a força da água sem um estudo adequado resulta em infiltrações graves, erosão subterrânea e falhas estruturais catastróficas. Projetos de aterro e contenção exigem obrigatoriamente estudo geotécnico com emissão de Anotação de Responsabilidade Técnica junto ao CREA.
Contexto importante: Este artigo é informativo. Para projetos estruturais locais similares, recomenda-se avaliação de engenheiro geotécnico, especialmente em contextos de risco de infiltração, erosão interna e comprometimento estrutural.

