O ROV Jason desceu até o Axial Seamount, um vulcão submarino a cerca de 500 km da costa do Oregon, para observar um tipo de fenômeno difícil de ver diretamente. Com sonar multifeixe, a equipe conseguiu detectar plumas hidrotermais, colunas de água quente e partículas que sobem das aberturas no fundo do mar.
Por que o Axial Seamount é um lugar tão importante?
O Axial Seamount é um vulcão submarino ativo localizado na cadeia Juan de Fuca. Sua posição em mar aberto e a presença de campos hidrotermais fazem dele um local estratégico para estudar como calor, fluidos e vida interagem no fundo do oceano.
O interesse aumenta porque o sistema reúne erupções conhecidas, fontes hidrotermais ativas e instrumentação científica já instalada na região. Em vez de ser apenas um relevo profundo, o Axial virou uma espécie de laboratório natural para acompanhar processos que ligam vulcanismo, química da água e ecossistemas extremos.

O que o ROV Jason fez nessa missão de 2025?
A página da NOAA Ocean Exploration informa que, em agosto de 2025, a equipe usou o Jason no Axial Seamount para coletar dados de mapeamento e retroespalhamento em campos hidrotermais com sonar multifeixe acoplado ao veículo.
O objetivo não era só filmar chaminés ou o relevo do fundo. A ideia era testar um modo mais eficiente de localizar e caracterizar a descarga hidrotermal, observando também o que acontece acima do fundo, dentro da própria coluna d’água, onde as plumas se espalham.
Como o sonar consegue “enxergar” água quente dentro da água?
O sonar não vê calor como uma câmera térmica, mas detecta alterações produzidas pelas plumas. A mesma página da NOAA explica que o retroespalhamento acústico pode ser influenciado por partículas suspensas e mudanças de temperatura ligadas aos fluidos que saem das fontes hidrotermais.
Essas diferenças ajudam a reconstruir a forma da pluma em três dimensões. Em vez de depender só de amostras pontuais, o método permite mapear por onde a descarga sobe e se dispersa, mostrando o relevo invisível da água em movimento acima das aberturas no fundo marinho.

Por que esse vulcão já era um alvo tão bem preparado para pesquisa?
O USGS descreve o Axial como o vulcão submarino mais ativo do nordeste do Pacífico. Já a infraestrutura do fundo é acompanhada em tempo real por redes como a do observatório cabled do próprio monte submarino.
Alguns fatores tornam o local especialmente valioso para missões como essa:
- Atividade hidrotermal: o Axial abriga campos com chaminés e fluxo difuso.
- Profundidade acessível à robótica: o ambiente é profundo, mas investigável com ROVs.
- Histórico eruptivo: o vulcão já teve erupções conhecidas em tempos recentes.
- Instrumentação contínua: a região conta com observação científica permanente.
- Ecossistemas extremos: as fontes sustentam comunidades adaptadas à escuridão.
O que essa missão acrescenta ao estudo do fundo do Pacífico?
Em vez de tratar as fontes hidrotermais apenas como pontos no mapa, a missão mostrou que é possível acompanhar melhor a forma e o comportamento das plumas sobre elas. Isso amplia a leitura do sistema, porque a descarga hidrotermal passa a ser vista como um volume em movimento, não só como um local fixo.
No fim, o robô não foi apenas até um vulcão remoto para filmar paisagens estranhas. Ele ajudou a desenvolver uma maneira mais precisa de observar um fenômeno que acontece em plena escuridão. No Axial Seamount, o sonar transformou água aparentemente vazia em um mapa legível de calor, partículas e circulação.

