Como vãos de centenas de metros de extensão mudam de tamanho todos os dias sob o sol e evitam o colapso estrutural. Sob o calor de até 40 °C na Baía de Guanabara, as pistas da Ponte Rio-Niterói se expandem e precisam de folga para não se destruírem.
Por que o concreto e o aço aumentam de tamanho quando esquentam?
Você já tentou abrir a tampa de um pote de palmito colocando-a embaixo da água quente da torneira? O calor agita as moléculas do metal e faz a tampa dilatar ligeiramente, soltando a rosca com facilidade. Esse mesmo comportamento térmico atua sobre quilômetros de pistas e pilares de uma grande travessia rodoviária.
No concreto armado, cada 100 metros de laje esticam cerca de 1 centímetro para cada 10 °C de elevação térmica, segundo os parâmetros de dilatação linear da NBR 6118. Por isso, quando o sol do meio-dia castiga a estrutura, os blocos avançam e precisam encontrar um espaço vazio para não colidirem entre si.

Qual é a dimensão real do movimento nas juntas de pontes?
Projetar as folgas milimétricas de uma rodovia suspensa requer prever a variação térmica anual do local e o comprimento de cada tabuleiro. Sem essa precisão de cálculo, o empuxo térmico acumularia tensões destrutivas capazes de romper os apoios de concreto.
Abertura máxima em vãos marítimos: atinge até 13 centímetros (130 milímetros) nas juntas centrais da Ponte Rio-Niterói, permitindo a dilatação livre de vigas contínuas com 400 metros de extensão.
- * Folga em viadutos de terra: mede cerca de 3 centímetros (30 milímetros) a cada 30 metros de tabuleiro nos acessos urbanos, absorvendo vibrações locais.
- * Coeficiente de expansão do concreto: adota o valor normativo de 1,0 x 10⁻⁵ por grau Celsius na NBR 6118, expandindo em sintonia quase perfeita com o aço.
- * Curso de deslizamento em juntas dentadas: acomoda deslocamentos contínuos de até 500 milímetros em pontes estaiadas de grande porte, mantendo os dentes alinhados.
- * Deformação admissível de perfis de neoprene: suporta compressões severas de até 50 milímetros enquanto bloqueia a entrada de água pluvial, protegendo as armaduras internas.
Como os dentes de metal trabalham enquanto os carros passam?
Quando você passa de carro por uma ponte e escuta um ruído compassado sob os pneus, o veículo está transpondo uma junta dentada de expansão. Duas chapas de aço cortadas em formato de serra se interpenetram horizontalmente, funcionando como dedos das mãos que se entrelaçam.
Nas madrugadas frias de inverno, o concreto retrai e os dentes se afastam sem perder o encaixe; nas tardes sufocantes de verão, eles se aproximam e preenchem a fenda sem bater no fundo. Assim, o pavimento preserva uma transição suave para as rodas e a ponte segue em total equilíbrio mecânico.
Como inspecionar essas juntas diretamente na pista?
Em trechos rodoviários recém-concluídos, as equipes de campo precisam garantir que o asfalto não forme degraus sobre as chapas de aço. Se houver desnível na transição entre o solo e o viaduto, os eixos dos caminhões batem na borda e arrancam lascas do pavimento.
A verificação deve ser feita tanto na superfície da pista quanto por baixo dos pilares, checando a integridade dos drenos que conduzem a água embora. Quando a vedação se rompe, a umidade atinge as vigas e acelera o desgaste das armaduras de aço.
Abaixo, um vídeo do Engenheiro de Rodovias – Lucas Ribeiro que aprofunda o tema:
Qual norma técnica nacional regulamenta essas aberturas?
O dimensionamento de pontes e viadutos no país obedece à norma ABNT NBR 7187, associada às exigências da ABNT NBR 6118 para peças de concreto armado. O manual de inspeção do DNIT (publicação IPR-709) estabelece vistorias anuais para registrar eventuais deformações nos aparelhos de apoio.
Essas normas exigem que os projetistas calculem as amplitudes térmicas extremas registradas nos últimos 50 anos pelo Inmet na bacia hidrográfica correspondente. Dessa forma, as pontes são concebidas para suportar desde geadas raras até ondas de calor sufocante sem sofrer fratura frágil.

Quando acionar um engenheiro civil especialista em pontes e viadutos?
Se você notar acúmulo de terra nas fendas, trincas nas cabeceiras de concreto ou sentir trancos secos ao trafegar pela ponte, a concessionária deve despachar um engenheiro civil especialista em pontes e viadutos. O perito mede o vão com paquímetros e inspeciona se houve deslocamento anômalo dos pilares.
Não se trata de um reparo superficial que uma equipe de pavimentação comum resolva asfaltando a fenda. Tampar uma junta de dilatação bloqueia o alívio térmico natural da obra de arte especial, concentrando toneladas de compressão que podem esmagar o concreto estrutural.
Contexto importante: Este artigo é informativo. Para projetos estruturais locais similares, recomenda-se avaliação de engenheiro civil especialista em pontes e viadutos, especialmente em contextos de risco de comprometimento estrutural, recalque de apoios e infiltração acelerada.

