O que é volatilidade do dólar, e por que ela sobe em ano de eleição mesmo quando a moeda cai
A cotação recuou em setembro, mas os movimentos diários ficaram maiores. Entenda a diferença entre nível e amplitude, e o que isso muda para quem compra e vende dólar
Volatilidade não é o dólar subir ou cair. É o tamanho do vai e vem. Uma moeda pode terminar o mês mais baixa, como aconteceu em setembro, com o dólar abaixo de R$ 5,10 e queda de 6,54% no ano, e ainda assim ter oscilado mais dentro do mês do que antes. É o que as mesas de câmbio chamam de amplitude, e é ela que sobe em ano de eleição.
O motivo é simples: a eleição coloca dois resultados possíveis na frente do mercado, e cada pesquisa muda o peso de cada um. De agosto a outubro, com primeiro turno em 4 de outubro e segundo em 25 do mesmo mês, a cotação incorpora esse prêmio de risco. A GX Capital deu nome ao regime: dólar eleitoral.
“Nas quatro semanas até o primeiro turno a variável não é o nível, é a amplitude: a mesa trabalha com bandas diárias mais largas e reduz o tamanho de cada tranche para caber nelas. É o mesmo hedge em camadas, com o passo mais curto”, explica Vinicius Teixeira, sócio da GX Capital.
Para quem importa ou exporta, a consequência prática é que o dia da compra ou da venda passa a importar mais. Por isso a recomendação é dividir a operação em partes menores e mais frequentes, com contratos a termo (NDF), em vez de fazer tudo de uma vez: o custo médio deixa de depender de um dia só.
“O pós-primeiro turno é o momento de maior assimetria: se a disputa se define, a acomodação vem rápido; se vai para o segundo turno, a volatilidade se estende por mais três semanas. As tranches de outubro têm que caber nos dois cenários”, diz Teixeira.
Em maio, a mesa da GX projetou pico de R$ 5,55 no trimestre; o nível não veio, e a leitura é que a proteção ficou mais barata. Na empresa, o cálculo das parcelas passa pelo Auron IA, tecnologia própria no aplicativo do cliente. Em resumo: volatilidade é amplitude, e em eleição ela sobe mesmo quando o dólar cai.