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Início Curiosidades

A Jordânia afundou 19 tanques e blindados no Mar Vermelho para formar um recife artificial que atrai mergulhadores e alivia a pressão sobre os corais naturais da região

Por Gustavo Trindade
01/09/2026
Em Curiosidades, Diversão
Tanques de guerra blindados alinhados no fundo arenoso do Mar Vermelho com mergulhadores e peixes ao redor

Veículos militares submersos no Golfo de Aqaba formam recife artificial para preservar corais nativos — Créditos: Imagem gerada por IA

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Resumo
🌊Arsenal submarino: A Jordânia submergiu 19 veículos militares desativados no Golfo de Aqaba para criar um parque de mergulho organizado em formação tática.
🛡️Proteção de corais: A atração desvia o tráfego de mergulhadores das áreas naturais vulneráveis, aliviando o impacto mecânico sobre os recifes nativos.
⚙️Descontaminação prévia: Combustíveis, óleos hidráulicos, baterias e compostos tóxicos foram 100% drenados antes da submersão controlada por guindastes navais.
🐠Recife artificial ativo: As estruturas de metal pousadas entre 15 e 28 metros de profundidade fornecem substrato sólido para invertebrados bentônicos e peixes.

A cerca de 20 metros abaixo da superfície espelhada do Golfo de Aqaba, no Mar Vermelho, a luz solar penetra a água cristalina e revela perfis metálicos imponentes. Não se trata dos vestígios de uma batalha naval histórica, mas de uma intervenção de engenharia ambiental deliberadamente desenhada sobre o leito marinho.

Como 19 máquinas de combate foram preparadas e afundadas em formação militar?

A instalação do complexo subaquático exigiu 30 dias de planejamento rigoroso para garantir que as carcaças blindadas não capotassem durante a descida nem deslizassem pelo leito inclinado. Equipes de engenharia naval calcularam a flutuabilidade e a distribuição de peso de cada equipamento antes do lançamento.

Guindastes de alta capacidade instalados em plataformas marítimas içaram os veículos e os desceram lentamente por meio de cabos de aço tencionados. Mergulhadores profissionais acompanharam cada descida na coluna d’água, orientando o pouso suave para que as máquinas permanecessem perfeitamente assentadas sobre as esteiras e rodas originais.

Composição em três painéis mostrando a limpeza mecânica de blindados em terra, o içamento por guindaste no mar e o tanque submerso colonizado por peixes
Etapas do projeto em Aqaba: descontaminação em oficina, descida controlada por guindaste e ocupação biológica submarina — Créditos: Imagem gerada por IA

Por que a autoridade de Aqaba escolheu o fundo do Mar Vermelho para esse arsenal?

O projeto foi coordenado pela Aqaba Special Economic Zone Authority (ASEZA) em cooperação com as Forças Armadas da Jordânia, que doaram o maquinário aposentado para transformar carcaças sem uso bélico em infraestrutura ecológica duradoura.

Entre os equipamentos afundados constam tanques de batalha Chieftain de fabricação britânica (chamados localmente de Khalid Shir), blindados leves de reconhecimento FV101 Scorpion, um veículo de transporte médico FV104 Samaritan e um helicóptero de ataque Bell AH-1 Cobra, todos desativados após décadas de serviço no exército jordaniano.

Destaques do Parque Militar Subaquático de Aqaba
🚁
Aeronave de Ataque
Helicóptero AH-1 Cobra
Repousa no substrato arenoso com hélices intactas, servindo de refúgio tridimensional para cardumes de meia-água.
🛡️
Blindados Pesados
Tanques Chieftain e Scorpion
Carcaças de aço balístico de alta espessura que funcionam como ancoragem para algas calcárias e pólipos de corais.
🚑
Apoio Tático
Ambulância Blindada Samaritan
Compartimento interno amplo com portas seladas e aberturas de ventilação que abrigam crustáceos e peixes noturnos.

De que forma as máquinas de guerra se transformam em recifes artificiais?

Em áreas de fundo arenoso liso, a ausência de relevo duro limita severamente a fixação de organismos sésseis. Ao introduzir estruturas sólidas de aço e ferro fundido, o projeto oferece uma base estável sobre a qual larvas planctônicas de corais, esponjas e briozoários conseguem se fixar sem o risco de soterramento.

Com o passar dos meses, um biofilme composto por microalgas e bactérias recobre o metal, iniciando a sucessão ecológica marinha. As aberturas de canhões, as esteiras dentadas e as frestas das torres blindadas funcionam como abrigos mecânicos contra correntes fortes e predadores de grande porte.

Especificação TécnicaDados do Museu Subaquático de Aqaba
📍 Localização geográficaGolfo de Aqaba, Mar Vermelho (Jordânia)
🚜 Volume inicial de veículos19 unidades de guerra (tanques, ambulância, guindaste e helicóptero)
📏 Variação de profundidadeEntre 15 e 28 metros abaixo da superfície
⏱️ Cronograma de implantação30 dias de planejamento e 7 dias contínuos de submersão
🎯 Finalidade ecológica principalRedução da pressão humana sobre os recifes de coral naturais

O que os registros visuais revelam sobre a descida controlada das máquinas de combate?

Os registros visuais da operação mostram guindastes industriais trabalhando em alto-mar enquanto veículos blindados de mais de 40 toneladas são suspensos sobre as águas azul-turquesa de Aqaba. Cabos de sustentação garantiram que cada tanque entrasse na água sem giros bruscos que pudessem danificar a estrutura.

Imagens submarinas captaram o momento em que mergulhadores ajustam a posição das peças no solo arenoso [00:00:31]. A visibilidade característica do Golfo de Aqaba permite observar as máquinas perfiladas em ordem de marcha militar, gerando um contraste marcante entre o armamento pesado e o ambiente marinho silencioso.

Abaixo, um vídeo do canal AFP News Agency (YouTube) que aprofunda o tema:

▶ Assistir no YouTube: Fish tanks: Jordan sinks military hardware for underwater museum | AFP

Como o monitoramento da ASEZA comprova o alívio nos recifes naturais?

Segundo o chefe de administração de praias e meio ambiente da ASEZA, Abdullah Abu-Awali, o ponto exato da instalação foi escolhido justamente por ser uma área arenosa pobre em vida recifal prévia. Isso garantiu que o afundamento das peças pesadas não destruísse nenhuma colônia nativa já consolidada.

O monitoramento ambiental pós-implantação constatou que a criação do museu artificial canalizou grande parte do fluxo diário de embarcações turísticas e praticantes de mergulho. Esse desvio diminuiu a frequência de toques acidentais, batidas de nadadeiras e ancoragens sobre os frágeis corais pétreos da costa vizinha.

Mergulhador técnico utilizando equipamento de medição próximo à blindagem de tanque submerso no mar
Especialista inspeciona a estrutura metálica de veículo militar submerso no Mar Vermelho — Créditos: Imagem gerada por IA

Quais procedimentos de descontaminação impediram o envenenamento das águas?

Afundar equipamentos bélicos sem preparação sanitária rigorosa poderia liberar substâncias altamente tóxicas no oceano. Para evitar qualquer contaminação química no ecossistema de Aqaba, todos os veículos passaram por semanas de desmontagem e higienização mecânica em oficinas especializadas em terra.

Os técnicos drenaram integralmente combustíveis fósseis, óleos lubrificantes de motor, fluidos de freio, líquidos de arrefecimento e baterias elétricas. Lavagens industriais com jatos de água quente e desengraxantes biodegradáveis removeram resíduos de hidrocarbonetos das engrenagens internas.

📖 Leia também: Turistas ajudam a salvar corais do Caribe em programa de sustentabilidade em Aruba

As carcaças blindadas que outrora cruzaram terrenos desérticos em manobras de guerra encontram-se hoje cobertas por camadas de vida marinha, demonstrando como o reaproveitamento de materiais pesados pode atuar em benefício direto da conservação costeira no Mar Vermelho.

Tags: Golfo de AqabaJordâniarecife artificial
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