Em Caraguatatuba, no litoral de São Paulo, um ativista da causa animal encontrou uma maneira simples e criativa de proteger os cães que vivem nas ruas. Danster Fernandes passou a colocar coleiras refletivas em cães em situação de rua, com um pedido especial: que eles encontrem um lar. A iniciativa, que começou pequena, ganhou força nas redes sociais e acabou virando um projeto de lei municipal.
O que levou Danster Fernandes a criar coleiras refletivas para cães de rua?
Danster Fernandes, morador de Caraguatatuba, percebeu um problema grave: os cães que circulam pelas ruas durante a noite são praticamente invisíveis para os motoristas. A baixa iluminação e a velocidade dos veículos tornam os atropelamentos uma tragédia frequente. Foi então que ele teve a ideia de utilizar um acessório simples como ferramenta de proteção: coleiras refletivas, que devolvem a luz dos faróis e tornam os animais mais visíveis à distância.
A iniciativa começou pequena, mas ganhou novos detalhes conforme as pessoas passaram a acompanhar o trabalho nas redes sociais. Segundo Danster, o acessório pode ajudar a evitar acidentes durante a noite, mas os animais continuam precisando de algo muito maior: uma família disposta a acolhê-los. Por isso, junto com cada coleira, ele costuma reforçar o pedido para que os cães encontrem um lar.
Como a ideia das coleiras refletivas se transformou em um projeto coletivo?
Três pilares sustentam o sucesso da iniciativa de Danster. O primeiro é a colaboração comunitária: seguidores nas redes sociais sugeriram que as coleiras incluíssem frases como “me adota” ou “a procura de um lar”, para que ninguém confundisse o animal com um cão que já tem tutor. O segundo é a adaptação constante: os primeiros modelos passaram por mudanças na largura, costura, fechos e reguladores, até chegar a um produto seguro e funcional.
“Esse projeto está sendo construído junto com vocês”, explicou Danster. A intenção é fazer com que a coleira tenha uma função adicional, transformando cada animal em um “anúncio ambulante” em busca de um lar. O que começou como uma ação individual se tornou um movimento coletivo, alimentado por sugestões e pelo engajamento da comunidade.
Por que coleiras refletivas podem salvar vidas nas ruas?
Os cães em situação de rua enfrentam perigos constantes, e um dos maiores é o atropelamento. De acordo com a Lei Federal nº 15.355/2026, que institui a Política de Acolhimento e Manejo de Animais Resgatados (Amar), a proteção animal é uma responsabilidade compartilhada entre poder público e sociedade. As coleiras refletivas, ao devolverem a luz dos faróis dos veículos, aumentam significativamente a visibilidade dos animais, dando aos motoristas tempo para frear ou desviar.
- A coleira refletiva torna o animal visível a até 100 metros de distância com os faróis acesos
- O fecho de segurança evita que o cão fique preso em grades, cercas ou galhos
- A visibilidade noturna reduz o risco de atropelamentos e acidentes com veículos
- A coleira também sinaliza que o animal não tem tutor, incentivando a adoção
- A ação complementa políticas públicas de proteção e bem-estar animal

Como a iniciativa virou projeto de lei em Caraguatatuba?
O que começou como uma ação individual ganhou proporções tão grandes que se transformou em uma proposta de política pública. Em 10 de agosto de 2026, Danster apresentou na Câmara Municipal de Caraguatatuba o Projeto de Lei nº 87/2026, que institui o Programa Municipal de Coleiras Refletivas para Animais em Situação de Rua, Abandono ou Vulnerabilidade.
De acordo com o texto apresentado, o programa seria destinado a cães e gatos que estejam em vias e espaços públicos, especialmente durante o período noturno. A proposta considera diferentes grupos de animais, incluindo abandonados, comunitários e até aqueles que possuem tutor, mas permanecem soltos ou desacompanhados nas ruas. A justificativa aponta que a baixa iluminação e a circulação de veículos dificultam a identificação dos animais pelos motoristas, aumentando o risco de atropelamentos. Além disso, um animal que entra repentinamente em uma rua pode fazer com que um motorista freie ou desvie bruscamente, criando riscos não só para o animal, mas também para passageiros, motociclistas, ciclistas e pedestres.
| Público-alvo | Benefício da coleira refletiva | Impacto na segurança |
|---|---|---|
| Cães abandonados Animais sem tutor | Visibilidade noturna + mensagem de adoção | Redução de atropelamentos e incentivo à adoção |
| Animais comunitários Cuidados por vizinhança | Identificação e proteção noturna | Maior segurança para a comunidade |
| Cães com tutor soltos Desacompanhados nas ruas | Visibilidade e localização | Prevenção de acidentes e perda do animal |
O que o projeto de lei prevê para a proteção dos animais?
O texto apresentado por Danster também deixa registrado que a coleira não seria tratada como substituta das demais políticas de proteção animal. O programa seria complementar a medidas como castração, vacinação, identificação, atendimento veterinário, adoção responsável e ações de combate ao abandono. Além disso, as coleiras devem ser confeccionadas com fecho de segurança, de desprendimento rápido ou mecanismo semelhante, para diminuir o risco de o animal ficar preso em grades, cercas, arames ou outros obstáculos.
Enquanto a proposta tramita no Legislativo municipal, Danster segue colocando a ideia em prática por conta própria. Sua ação já inspirou iniciativas semelhantes em outras cidades, como Jundiaí, onde uma voluntária criou coleiras refletivas para proteger cães abandonados, e no Paraná, onde um projeto de lei estadual propõe o uso de coleiras refletivas como medida de segurança viária.
Por que a história de Danster nos ensina sobre o poder da ação individual?
A história de Danster Fernandes é um lembrete de que uma pessoa pode fazer a diferença. Ele não esperou por políticas públicas para agir — ele começou com o que tinha, ouviu a comunidade, adaptou sua ideia e, com persistência, transformou uma ação simples em um movimento que pode salvar vidas e mudar leis. Como ele mesmo disse: “Sinto que estou fazendo a minha parte”.
A iniciativa de Danster mostra que a proteção animal não é apenas responsabilidade do poder público é uma responsabilidade compartilhada. Cada coleira colocada é um ato de cuidado. Cada mensagem de “me adota” é um pedido de esperança. E cada pessoa que se inspira em sua história e faz a sua parte contribui para um mundo onde nenhum animal precise enfrentar as ruas sozinho.
