Descobertas botânicas costumam vir de expedições remotas. No norte de Minas Gerais, a mais recente saiu de uma área aberta, perto de trilhas percorridas por visitantes, dentro do Parque Estadual de Grão Mogol. A cidade que dá nome à unidade nasceu do garimpo de diamantes na Serra do Espinhaço e guarda ruas inteiras calçadas com a pedra tirada dali mesmo.
Que espécie foi encontrada dentro do parque?
Uma orquídea que não existe em nenhum outro lugar do mundo. Segundo a Agência Minas, a planta foi identificada pelos pesquisadores Gabriela Cruz-Lustre e João Batista, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e batizada de Habenaria adamantina, em referência aos diamantes que marcaram a história do município.
O detalhe curioso é o endereço da descoberta: mesmo ocorrendo em áreas abertas e próximas a trilhas, a espécie passou despercebida pela ciência até agora. Com ela, o número de espécies do gênero registradas no município saltou de quatro para 12. A planta vive em campo rupestre, ecossistema típico do Espinhaço e um dos mais biodiversos e ameaçados do país.

Por que um parque no semiárido tem rios que nunca secam?
Por causa do relevo. Conforme o Instituto Estadual de Florestas (IEF), o parque fica na Serra Geral, conhecida na região como Serra da Bocaína, e seus rios são perenes mesmo em uma área extremamente seca, o que torna a preservação decisiva para as nascentes que alimentam outras grandes bacias.
A vegetação acompanha essa mistura. Nas chapadas predominam variações de cerrado, com pequizeiro, lixeira e pau-terra, ao lado de caatinga arbustiva com bromélias e cactáceas. Os campos de sempre-vivas e os vales dos rios do Bosque e Ventania são os pontos mais marcantes, com flora peculiar e populações restritas àquele ambiente.

O que ver na cidade de pedra do Espinhaço?
O conjunto histórico e a natureza estão a distâncias curtas, e boa parte do centro se percorre a pé. De acordo com a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, o município reúne conjunto arquitetônico tombado, trilhas, cachoeiras e um presépio a céu aberto. Confira abaixo o que costuma organizar a visita:
- Igreja Matriz de Santo Antônio: templo erguido inteiramente em pedra, o que o diferencia das igrejas barrocas do restante do estado.
- Presépio Natural Mãos de Deus: conjunto de esculturas integrado a um paredão rochoso da serra.
- Parque Estadual de Grão Mogol: chapadas, campos rupestres, nascentes e cachoeiras sob gestão do IEF.
- Trilha do Barão: caminho de pedra construído por mão de obra escravizada, cruzando a serra.
- Cânion do Rio Itacambiruçu: praias de água doce e pedras ao longo do curso, ao sul da cidade.
- Centro histórico: ruas de pedra bruta e casario preservado do ciclo do diamante.
O vídeo do canal Boa Sorte Viajante – Matheus Boa Sorte, com mais de 272 mil visualizações, apresenta um episódio fascinante e completo sobre Grão Mogol, conhecida como a histórica Cidade de Pedra e localizada no norte de Minas Gerais (a cerca de 570 km de Belo Horizonte).
Como é o clima em Grão Mogol ao longo do ano?
Grão Mogol tem clima tropical de altitude, com noites frias no inverno e verões amenos. Segundo o Correio Braziliense, as temperaturas podem chegar a 12°C no inverno. Veja abaixo a divisão por estação:
Temperaturas aproximadas com base em dados regionais do Climatempo para Montes Claros, cidade-base regional. Condições podem variar.
Como chegar em Grão Mogol?
De Belo Horizonte, o trajeto é de cerca de 560 km pela BR-135, com aproximadamente 7 a 8 horas de viagem. De Montes Claros, principal hub aéreo e rodoviário do Norte de Minas, são cerca de 150 km. O acesso final é feito por estradas asfaltadas, mas alguns trechos para atrativos naturais podem exigir veículos mais altos ou 4×4, especialmente na época das chuvas. O Aeroporto Regional de Montes Claros recebe voos regulares de Belo Horizonte, São Paulo e Brasília.
Conheça a serra que ainda guarda espécies desconhecidas
O campo rupestre do Espinhaço concentra plantas que só existem em faixas estreitas de altitude, e a orquídea encontrada ao lado de uma trilha mostra o quanto ainda falta catalogar. A mesma serra que rendeu diamantes no século XVIII segue rendendo descobertas de outra natureza.
Você precisa caminhar pelas ruas de pedra e conhecer Grão Mogol depois das chuvas, quando o campo rupestre está em flor.

