Poucas cidades brasileiras conseguem juntar em pouco espaço um dos pontos mais altos do sul de Minas Gerais, um santuário centenário que atrai peregrinos de todo o Sudeste e uma paisagem serrana com neblina densa que aparece nos vales quase todas as manhãs de inverno. A cerca de 160 km da capital paulista, no Circuito Serras Verdes do Sul de Minas, Córrego do Bom Jesus guarda esse conjunto. A cidade tem cerca de 4 mil habitantes e foi consagrada Cidade Santuário em 1911.
Como Córrego do Bom Jesus virou Cidade Santuário?
A resposta está em uma imagem religiosa esculpida em Portugal. Segundo o portal oficial do Governo de Minas Gerais, a cidade foi consagrada como Cidade Santuário em 1911. Trata-se de uma das metas de peregrinação mais importantes da região sul-mineira, recebendo milhares de devotos anualmente, em especial durante a Festa em Louvor ao Bom Jesus, entre 28 de julho e 6 de agosto.
A história do povoado começou entre 1865 e 1880. O fundador, Joaquim Bueno de Morais, doou um terreno para a formação do patrimônio de uma capela, que foi erguida em homenagem ao Senhor Bom Jesus. A imagem foi esculpida em Portugal por Manoel Soares de Oliveira e pintada pelo dourador João Teixeira em 1873. Foi essa imagem que se transformou no principal marco religioso da região.

Por que a cidade é apelidada de “Alpes de Minas”?
A resposta está na altitude. A cidade fica encravada na Serra da Mantiqueira, com o Pico de São Domingos a 2.050 metros de altitude, um dos pontos mais altos do sul de Minas Gerais. A combinação entre altitude, umidade e temperatura cria uma paisagem de neblina densa que cobre os vales quase todas as manhãs de inverno. Os termômetros podem se aproximar de 0°C nas áreas mais elevadas.
O apelido de Alpes de Minas vem justamente dessa combinação. A cidade apareceu em rankings recentes ao lado de destinos como Praia dos Carneiros e Camaçari, com aumento de 37% nas buscas durante a baixa temporada. A combinação de paisagens rurais preservadas, pousadas de conceito boutique e proximidade com São Paulo tem chamado atenção crescente do público paulistano.

De onde vem o apelido “biscoiteiros”?
A resposta está em uma prática do início do século XX. Antes da consolidação do real como moeda nacional, algumas comunidades do interior brasileiro chegaram a produzir moedas próprias, feitas em pequenos formatos que lembravam biscoitos. Segundo o portal Serras Verdes do Sul de Minas, os moradores de Córrego produziram essas moedas, que circularam por todo o sul mineiro e até no Rio de Janeiro. A prática foi noticiada em edição do jornal O Dia, referindo-se ao fato como Arte dos Mineiros. Os moradores ganharam o apelido carinhoso de biscoiteiros, ainda usado hoje na região.
Quais são as principais atrações naturais?
A cidade oferece uma rede de picos, mirantes e cachoeiras a curta distância do centro. Confira os principais programas:
- Pico de São Domingos: a 2.050 metros de altitude, ponto mais alto da região, na divisa com Gonçalves, Paraisópolis e Camanducaia.
- Pico da Raposa: a 1.480 metros de altitude, ponto tradicional de voo livre de parapente.
- Serra do Caçador: passagem do Caminho da Fé, procurada por peregrinos em busca de vistas panorâmicas.
- Cachoeira do Nenê: uma das mais famosas do circuito local.
- Cachoeira do Levindo: com trilha de acesso e cenário preservado.
- Cachoeira Três Irmãos: com três quedas em sequência, muito procurada por famílias.
- Centro de Informação Turística: com jardim de esculturas que homenageia personagens locais.
Que outras atrações culturais e religiosas a cidade oferece?
Além das paisagens, a cidade preserva atrações ligadas à tradição religiosa e à cultura popular sul-mineira. Alguns dos principais programas:
- Santuário do Bom Jesus: templo principal da cidade, com a imagem trazida de Portugal em 1873.
- Festa em Louvor ao Bom Jesus: entre 28 de julho e 6 de agosto, com peregrinação nacional.
- Caminho da Fé: peregrinação regional que passa pela cidade.
- Centro de Informação Turística: com esculturas de personagens locais, como o leiteiro, o trabalhador da roça e os pilotos de voo livre.
Este vídeo do canal Pegamos Uma Estrada, com 2,7 mil visualizações, apresenta um roteiro de 3 dias em Córrego do Bom Jesus (Minas Gerais), um charmoso e pacato município no sul de Minas, na Serra da Mantiqueira, destacando o ecoturismo na Pedra Chata e na Cachoeira Escondida, o visual do Pico da Raposa, a imponente Pedra de São Domingos e dicas de gastronomia e hospedagens sustentáveis na região.
Como é o clima em Córrego do Bom Jesus ao longo do ano?
Córrego do Bom Jesus tem clima tropical de altitude, com invernos frios e verões amenos. É uma das cidades mais frias do sul de Minas. Veja abaixo a divisão por estação:
Temperaturas aproximadas com base em dados regionais do Climatempo para Monte Verde, cidade-base próxima e com altitude semelhante. Condições podem variar.
Como chegar em Córrego do Bom Jesus?
De São Paulo, o trajeto é de cerca de 160 km, com aproximadamente 2h30 de carro pela Rodovia Fernão Dias (BR-381). A cidade fica próxima a Cambuí, Paraisópolis e Gonçalves. De Belo Horizonte, são cerca de 460 km, com aproximadamente 6 horas de trajeto. O aeroporto mais próximo é o de Pouso Alegre, no sul mineiro.
A cidade mineira onde o inverno chega antes e o silêncio ainda é dono da serra
Córrego do Bom Jesus combina em pouco espaço um dos picos mais altos do sul de Minas, um santuário centenário e uma paisagem serrana com clima próximo ao europeu em plena Mantiqueira. Poucos lugares no interior mineiro conseguem oferecer essa combinação de religiosidade, natureza preservada e tranquilidade a menos de três horas de São Paulo.

