Existem cidades brasileiras que carregam o nome de uma imperatriz em cada esquina. No sul do Maranhão, às margens do Rio Tocantins, um município fundado no século XIX guarda o portal de entrada de uma das áreas naturais mais surpreendentes do Brasil. Reúne cerca de 89 cachoeiras oficiais, um parque nacional com 160 mil hectares e um centro histórico com casarões coloniais preservados.
Como uma cidade fundada em 1855 virou porta de entrada da Chapada das Mesas?
Carolina foi fundada em 1855 e batizada em homenagem à imperatriz Carolina Amélia de Leuchtenberg, princesa alemã que se tornou a segunda esposa do imperador Dom Pedro I. A cidade fica no sul do Maranhão, às margens do Rio Tocantins, e faz divisa com o estado do Tocantins. O centro histórico ainda preserva ruas de paralelepípedo e casarões coloniais que remontam ao período imperial.
Nas últimas duas décadas, a cidade se consolidou como principal base de visitação para quem quer explorar a Chapada das Mesas. A infraestrutura hoteleira, restaurantes de gastronomia regional e agências de ecoturismo se concentram no centro urbano, distante cerca de 80 km das entradas mais tradicionais do parque nacional. É a cidade com melhor estrutura receptiva de toda a região.

Por que a região é chamada de Paraíso das Águas?
Segundo o portal oficial da Secretaria de Estado do Turismo do Maranhão, a região da Chapada das Mesas concentra volumes surpreendentes de água em pleno interior do Cerrado. São 89 cachoeiras oficiais catalogadas, 22 rios perenes e mais de 400 nascentes distribuídas em dez municípios.
O contraste entre a paisagem seca do Cerrado e a abundância de rios explica o apelido. Enquanto o entorno tem vegetação típica de savana brasileira, os cânions escondem quedas d’água, piscinas naturais de tons esverdeados e poços de águas cristalinas. Treze dessas cachoeiras estão dentro do Parque Nacional. As outras se distribuem em complexos turísticos particulares e áreas rurais próximas, algumas com acesso feito exclusivamente por veículos 4×4.

O que ver no Parque Nacional da Chapada das Mesas?
O Parque Nacional da Chapada das Mesas foi criado em 2005 e ocupa cerca de 160 mil hectares. É administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e abrange trechos dos municípios de Carolina, Riachão e Estreito.
A unidade preserva formações rochosas em forma de mesa que dão nome à região, chapadas vermelhas, cavernas e cachoeiras. Fica em uma área rara de transição entre três biomas brasileiros: Cerrado, Caatinga e Amazônia. Os dois principais atrativos abertos ao público são as Cachoeiras de São Romão e Cachoeiras do Prata. Também há trilhas ao Morro do Chapéu e ao Portal da Chapada das Mesas, cartão-postal do parque, com formação de arenito que emoldura o horizonte.
Como acessar a Cachoeira de São Romão, a maior do Maranhão?
A Cachoeira de São Romão é a maior em volume de água do estado do Maranhão. É formada pelo Rio Farinha, divisor natural entre Carolina e Estreito, e alimenta a queda principal do parque. O acesso é feito por veículos 4×4, com trajeto de cerca de 80 km partindo do centro urbano.
O percurso combina 30 km de estrada pavimentada e 55 km de estrada de terra até a entrada do parque. Depois de chegar à cachoeira, os visitantes podem tomar banho nas águas frescas do Rio Farinha. Nas proximidades, a estrada segue por mais 28 km até as Cachoeiras do Prata, com poços cristalinos e quedas menores para banho tranquilo em família. Os passeios são feitos por meio de agências locais credenciadas pelo ICMBio.
Que atrações fora do parque completam o roteiro?
Além do parque nacional, a Chapada das Mesas guarda complexos turísticos e cachoeiras em propriedades particulares. Confira abaixo os destaques:
- Complexo Pedra Caída: fica em Carolina e reúne as cachoeiras do Santuário, Caverna e Capelão, com estrutura de restaurante e trilhas.
- Cachoeiras Gêmeas do Itapecuru: também em Carolina, com duas quedas paralelas em cenário de arenito avermelhado.
- Poço Azul: em Riachão, com águas transparentes em tons azulados que ganharam fama nacional.
- Encanto Azul: outra nascente de águas azuis em Riachão, ideal para mergulho de contemplação.
- Portal da Chapada: mirante natural com pôr do sol emblemático sobre as formações de arenito.
- Rio Tocantins: passeios de barco no fim de tarde, com paradas na Pedra Encantada.
- Trilha dos Guardiões e Trilha Tributo: percursos com mirantes e paisagens da chapada.
Este vídeo do canal Por Onde INDO 🌏 Rony & Bruna, com 113 mil visualizações, apresenta um vlog sincero e detalhado sobre Carolina (Maranhão) e as principais atrações da região da Chapada das Mesas.
Como é o clima em Carolina?
A cidade tem clima tropical com estações seca e chuvosa bem definidas. Confira abaixo as médias por estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Carolina?
A cidade fica a cerca de 840 km de São Luís, capital do Maranhão, e 225 km de Imperatriz, principal cidade de acesso pelo norte. O trajeto de carro de Imperatriz leva em média três horas pela BR-230 (Transamazônica).
O Aeroporto de Imperatriz é o mais próximo com voos regulares. Recebe operações regulares da Azul e da Latam, com conexões pelas principais capitais brasileiras. Também é possível chegar pelo Aeroporto de Palmas, no Tocantins, ou pelo Aeroporto de Teresina, no Piauí. Linhas de ônibus intermunicipais conectam Carolina a Imperatriz, Riachão e Palmas.
Uma cidade onde o Cerrado dividiu o mesmo endereço com centenas de cachoeiras
Poucos endereços do Brasil conseguem juntar em pouco espaço um centro histórico do século XIX, um parque nacional criado para preservar formações rochosas únicas, a maior cachoeira em volume de água do Maranhão e uma rara área de transição entre três biomas brasileiros. A combinação faz de Carolina um destino sensorial e completo no sul maranhense, com camadas que atravessam do período imperial ao ritmo contemporâneo do ecoturismo de aventura.

